Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Por 2018 e foro, ministros tentam conter debandada

Ministros do PSD e PRB conversam com seus parlamentares para resolver insatisfações e evitar rebeliões

Igor Gadelha e Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2017 | 08h37

BRASÍLIA - Preocupados com as eleições de 2018 e a manutenção do foro privilegiado, ministros de grandes partidos da base aliada trabalham para não terem de deixar o cargo em meio à crise que atinge o governo Michel Temer, após a divulgação da delação da JBS. Eles atuam principalmente sobre as bancadas de suas legendas no Congresso Nacional para conter qualquer sinal de rebelião a favor do desembarque do governo.

Os ministros do PSD e PRB – partidos com a quinta (37 deputados) e oitava (23 deputados) maiores bancadas da Câmara, respectivamente – conversam diariamente com seus parlamentares para resolver insatisfações e evitar rebeliões. Como não possuem mandatos, os ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), e da Indústria Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira (PRB), precisam do cargo para manter o foro.

Caso deixem o governo, Kassab e Pereira passariam a ser julgados pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na primeira instância e é considerado mais severo em suas decisões, e não mais pelo Supremo Tribunal Federal. Presidentes licenciados de seus respectivos partidos, os ministros foram citados tanto na delação da Odebrecht quanto na da JBS como beneficiário de propinas pagas pelas empresas. Ambos negam qualquer irregularidade.

Embora consiga manter a bancada na Câmara "sob controle", Kassab enfrenta dificuldades no Senado, onde a sigla tem quatro integrantes. “Não faço parte desse governo, não quero fazer. Michel Temer não tem condições e governar”, afirmou o líder do PSD na Casa, senador Omar Aziz (AM), ao Estado/Broadcast. Segundo ele, há um forte clima de insatisfação na bancada com o governo não só pela revelações feitas pela JBS na delação, mas pela falta de espaço do partido no Executivo.

No PR, partido com a quarta maior bancada da Câmara (39 deputados), a preocupação do ministro dos Transportes, Maurício Quintella (AL), é outra. Como é deputado licenciado, ele continuará com o foro privilegiado se deixar a Pasta. Quintella quer se manter no cargo para continuar destinando recursos e realizando obras em Alagoas, por onde deseja disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2018.

Expulsão. No PSB, dono da sexta maior bancada da Câmara (35 deputados), o movimento é o contrário. Deputado licenciado pelo partido, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PE), é fortemente pressionado a deixar o cargo pela ala da bancada contrária ao governo Temer e pela direção do partido. Nesta segunda-feira, o vice-presidente da legenda, Beto Albuquerque, defendeu a expulsão do ministro do partido, caso ele não deixe o governo.

A bancada do PSDB na Câmara – a terceira maior da Casa, com 47 deputados –, também pressiona os quatro ministros da legenda a entregarem os cargos. A defesa mais explícita é feita pelo deputado João Gualberto (BA), que apresentou pedido de impeachment de Temer na semana passada junto com outros sete deputados da sigla. O grupo marcou reunião para esta terça-feira, 23, quando o tucano espera que o número de deputados favoráveis ao rompimento aumente para pelo menos 15 parlamentares. 

Mesmo sem renúncia, cassação ou impeachment do presidente, o tucano já defende publicamente o início da discussão sobre o sucessor de Temer. “Tem que ser alguém com respaldo da população e apoio dos políticos, nomes como (ex-ministro) Nelson Jobim e (Henrique) Meirelles (ministro da Fazenda)”, afirmou Gualberto. O tucano reconhece que a bancada do PSDB Senado é mais "cautelosa" e defende, por enquanto, a permanência no governo.

Com seis deputados, o PV também marcou reunião para esta terça-feira, 23, para discutir um posicionamento em relação ao governo. O presidente do partido, José Luiz Penna, afirma que, embora a sigla comande o Ministério do Meio Ambiente, é independente do governo Temer. Segundo Penna, o cargo foi uma negociação pessoal do ministro, Sarney Filho (MA), a qual a legenda tem respeitado. "Por essas razões, tudo será avaliado com muita cautela", afirmou.

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