Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Por 2014, PT cede espaço nas grandes cidades em favor do PMDB e de aliados

Cúpula pressiona dirigentes a abrirem mão de cabeça de chapa em 40 das 118 capitais e municípios

Bruno Boghossian - estadao.com.br ,

25 de dezembro de 2011 | 22h00

BRASÍLIA - Para manter o casamento com o maior partido de sua base aliada, o PT estuda ceder ao PMDB nas eleições de 2012 até 13 cabeças de chapa em municípios considerados estratégicos. Com foco na reeleição da presidente Dilma Rousseff, o comando nacional petista pressiona dirigentes locais a desistir de lançar candidatos próprios para apoiar nomes indicados por legendas amigas.

Um levantamento interno do PT, a que o Estado teve acesso, mostra que o partido cogita abrir espaço para seus aliados em até 40 das 118 capitais e cidades com mais de 150 mil eleitores - apontadas como prioridades da próxima disputa e batizadas de "joias da coroa"pela direção nacional da sigla.

Caso todas as negociações se confirmem, o PT abrirá mão de disputar uma de cada três prefeituras consideradas importantes. Em 2004, na primeira eleição municipal do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a sigla cedeu a cabeça de chapa em 18 das 95 cidades estratégicas - média inferior a uma a cada cinco.

O PMDB seria o maior beneficiário da estratégia petista para 2012, podendo receber apoio em até 13 desses municípios. Em 2004, antes da adesão em massa do partido ao governo Lula, o PT apoiou apenas um peemedebista nas maiores cidades do Brasil.

As concessões do PT seriam um afago aos peemedebistas na primeira eleição municipal da era Dilma Rousseff, após um início de governo permeado por desentendimentos. A disputa mais recente, pelo controle da Caixa Econômica Federal, obrigou a presidente a demitir um dos diretores da instituição, apadrinhado pelo PMDB.

"Ao procurar criar uma relação de entendimento com os partidos da base, o PT reforça uma posição de unidade que encontra reciprocidade lá na frente: 2012 é caminho para 2014", avalia o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "O PT tem uma ampla aliança de governabilidade, que tem de ser alimentada permanentemente."

Acordos. Já foram fechados acordos em quatro cidades: Rio de Janeiro (com 4,6 milhões de eleitores), Aparecida de Goiânia (256 mil), Bauru (243 mil) e Volta Redonda (211 mil). Também há pressão dos dirigentes petistas por entendimentos com o PMDB em Manaus e Vitória.

Oficialmente, os petistas se recusam a admitir que o apoio a candidatos do PMDB seja uma ação calculada. No documento elaborado pelo partido, consta apenas que o partido é o parceiro "mais constante". "Não se pode eleger um aliado principal, sob o risco de constranger os demais", afirma um petista.

Já o PMDB reconhece uma "sintonia" entre as cúpulas das duas siglas nas articulações para 2012, reflexo da proximidade no governo federal. "O fato de termos um vice-presidente leva, naturalmente, a uma convergência maior nos municípios", diz o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

Em Vitória e Manaus, a cúpula petista aguarda a confirmação dos candidatos do PMDB para incentivar seus dirigentes locais a apoiá-los. Na capital capixaba, é dada como certa uma aliança do PT com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB), caso ele aceite concorrer ao Executivo municipal. O projeto conta com a campanha explícita do atual prefeito, o petista João Coser, e contraria a pré-candidata do partido, a ministra Iriny Lopes.

No Amazonas, o PT admite abrir caminho para uma chapa encabeçada pelo senador Eduardo Braga (PMDB). Neste caso, os petistas reconhecem que não teriam um candidato forte, mas acreditam que podem cobrar a conta no futuro.

Nas cidades em que as alianças forem impossíveis, a orientação é criar um ambiente cordial de disputa, a fim de facilitar um entendimento em caso de segundo turno. "Há um trabalho para remover qualquer obstáculo que impeça uma opção de apoio no segundo turno", adianta Jucá.

Dilma fora. Para evitar constrangimentos, Dilma também se declarou disposta a não participar das campanhas nos municípios em que houver mais um candidato da base aliada. "É um movimento importante em prol da aliança nacional", avalia Raupp.

Setores do PT já demonstraram desconforto diante da abertura de espaço aos aliados. A justificativa que recebem é que a sigla precisa conter a rebeldia da base, uma vez que o PT já domina boa parte dos ministérios e cargos no segundo escalão.

Além da manutenção da aliança em torno de Dilma, as concessões ao PMDB refletem os interesses do PT nos Estados. O apoio ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) no Rio, por exemplo, pode ter como preço uma aliança a favor do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo em 2014. / COLABOROU DANIEL BRAMATTI

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