Por 11 a 4, conselho pede cassação de Renan, que avalia renunciar

Por 11 votos a 4, o Conselho de Ética do Senado aprovou ontem o pedido de cassação do mandato do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Horas depois, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) considerou, desta vez por 20 votos a 1, que o pedido é constitucional. A decisão será submetida ao plenário provavelmente na quarta-feira, quando a cassação de Renan só passará se tiver o voto de 41 do total de 81 senadores. O resultado no Conselho de Ética não surpreendeu e a discussão do assunto, durante mais de três horas, foi morna. Calmo, Renan dizia aos companheiros: "Vamos ganhar... É ter calma." Na CCJ, o único voto a seu favor partiu do aliado Wellington Salgado (PMDB-MG) - os demais concordaram com o parecer do relator, Tasso Jereissati (PSDB-CE).No início da noite de ontem, segundo alguns senadores, Renan avaliava a possibilidade de renunciar à presidência e passá-la a José Sarney (PMDB-AP). No Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ele "está sendo julgado onde deve: dentro do Senado. É um problema do Congresso". A decisão de ontem, de qualquer forma, encerra uma etapa de 104 dias desgastantes para Renan, iniciados a 25 de maio, com a primeira denúncia.A avaliação de muitos parlamentares é de que dificilmente o resultado de ontem se repetirá em plenário. "Hoje, o senador escaparia", avisou o senador Renato Casagrande (PSB-ES). A grande arma de Renan, na quarta-feira, será o voto secreto. "A situação será de fragilidade e intranqüilidade no Senado, por algum tempo, se ele não for condenado", avaliou o senador César Borges (DEM-BA).

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