População incendeia prefeitura no MA

Ato de vandalismo teria partido de aliados de prefeito cassado pelo TRE

Wilson Lima, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Inconformados com a cassação do mandato do prefeito Arnóbio Rodrigues (PDT), moradores da cidade de Centro Novo do Maranhão, distante 208 quilômetros de São Luís, incendiaram na tarde de ontem o prédio da prefeitura e da Câmara Municipal. De acordo com o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos, a ação foi desencadeada por volta das 16 horas.Segundo ele, a suspeita é de que o ato tenha sido patrocinado por um grupo de partidários do prefeito cassado de um povoado denominado Cheira Tudo. A Polícia Militar de Centro Novo confirma essa versão. "O TRE recebeu denúncias de que poderia ocorrer a depredação desde as 13 horas. Acionamos a polícia, mas ela não chegou a tempo", explicou o desembargador. Durante o ataque, apenas três policiais militares estavam na cidade. Figueiredo disse que determinou a detenção em flagrante de todos os envolvidos no ataque.Além do prédio da prefeitura e da Câmara Municipal, houve depredação de outros prédios públicos e da ponte que dá acesso ao município. Móveis da prefeitura e documentos também foram incendiados. A assessoria de Rodrigues não foi encontrada para comentar o caso.CONTASArnóbio Rodrigues foi cassado pelo TRE maranhense na sessão de terça-feira. Ele foi punido porque teve suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), quando era presidente da Câmara Municipal (2001/2002).Rodrigues venceu a eleição suplementar em Centro Novo ocorrida em 1° de março. Ele obteve 53,36% dos votos ante 46,64% de Pedro Teixeira (PMDB). As eleições de 5 de outubro do ano passado foram anuladas com a cassação do então vencedor, Domício Gonçalves (PRB). O TRE convocou nova eleição para 24 de maio - a terceira desde o pleito de 5 outubro.Gonçalves foi cassado porque, em 2004, como vice-prefeito, assumiu por dois meses o comando da prefeitura antes da eleição daquele ano, quando se elegeu prefeito. A eleição em 2008, portanto, representaria um terceiro mandato. O presidente da Câmara, José Maria de Espíndola (PRB), que conseguiu tomar posse no fim da tarde com a chegada da polícia, acusou os partidários do prefeito cassado pelos atos de vandalismo.

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