População feminina cresce mais rápido, indica IBGE

O Brasil deverá chegar a 2050com 8,2 milhões de mulheres a mais do que homens, apontamestimativas feitas pelo Instituto Brasileiro de Geografia eEstatística (IBGE), com base no Censo 2000, cujos resultadosconsolidados foram divulgados há duas semanas. O excedentefeminino, que no ano passado correspondia a apenas 1,5% do totalda população, vai equivaler a 3,4% dos 238 milhões debrasileiros que o País deverá contabilizar até a metade doséculo 21. "Hoje temos cerca de um Uruguai a mais de mulheresno Brasil. Em 2050, serão três Uruguais. Elas vão dominar oséculo", brinca Juarez de Castro Oliveira, chefe da Divisão deEstudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE.Um dos motivos principais desse crescimento desigual e recordesão as elevadas taxas de mortalidade de homens jovens que vivemem cidades grandes e são vítimas da violência, segundo a análisedo IBGE. "O maior aumento do número de mulheres é um fenômenomundial, mas, no Brasil, isso é um problema porque decorre damanutenção de taxas de mortalidade por causas externas ligadas àviolência entre homens jovens", explica Juarez Oliveira.No ano passado, havia 96,9 homens para cada grupo de 100brasileiras, segundo apontou o censo. Em números absolutos, eram2,6 milhões de mulheres sem par na sociedade brasileira - umnúmero muito superior às 756 mil mulheres na mesma situação em1991.Problemas - Além de revelar os altos níveis de violência dasociedade brasileira, a desigualdade no crescimento entre ossexos pode ser uma indicação de problemas futuros. O primeiro,opina o pesquisador do IBGE, são possíveis dificuldades que amulher poderá enfrentar para conseguir emprego em um mercado detrabalho saturado com candidatas do sexo feminino.Além disso, o crescimento do número de mulheres traz um desafiopara a Previdência Social. "Essas políticas terão que caminharna mesma velocidade que a população feminina cresce. E isso nãoestá acontecendo, o que vai elevar ainda mais a população idosaque é excluída da sociedade."O aumento das mulheres idosas já foi ressaltado pelos dados doCenso. Em 2000, 5,6 milhões de mulheres tinham mais de 65 anos.O número de homens na mesma faixa etária era de 4,4 milhões. Aexpectativa do IBGE é que, em 2050, a população feminina idosasupere os 23 milhões - 8 milhões a mais do que os homens commais de 65 anos. "A população brasileira idosa foi a que maiscresceu desde 1991."Excluindo a região Norte, as mulheres superam os homens namaioria dos Estados. Mas as maiores proporções do sexo femininoestão concentradas no Nordeste e no Sudeste, onde em todos osEstados há mais pessoas do sexo feminino do que masculino.Os campeões em mulheres são o Distrito Federal (91,7 homens paracada 100 mulheres) e o Rio (92,1). O DF é também o líder emcasos de mulheres que chefiam famílias; e o Rio tem o maiorporcentual de idosas (8,6% do total das fluminenses) - doisreflexos de uma grande população feminina. A relaçãohomem/mulher com mais de 65 anos chega a 66,9/100 no Rio.Efeitos - Nos municípios com maior porcentual de mulheres, essadesigualdade já começa a alterar o cotidiano dos moradores. É ocaso de Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, a cidadecom a maior proporção de população feminina no Brasil (83,5).Famosa por suas fontes naturais de água e um clima agradável, apequena Águas de São Pedro (3,7 quilômetros quadrados) começa aser procurada por sua reputação de ter muitas mulheres livres esem namorado."Muitos turistas, principalmente homens jovens, estão nosvisitando por causa da fama de que aqui tem muita mulher. E temmesmo. Na última contagem, eram 1.005 para apenas 840 homens",conta o secretário de Turismo Luiz Antônio Demitry Neto.O secretário afirma que a fama é muito favorável para o turismo."A cidade está deixando de atrair só idosos e trazendo muitosjovens. E tenho certeza de que o motivo é que temos muitasmulheres. Isso não é problema. Ao contrário, temos muito orgulhoporque nossas mulheres são lindas", conta.Demitry admite que a proporção desigual de mulheres não é motivode comemoração para as solteiras de Águas de São Pedro. "Paraos homens, é ótimo. Mas elas sempre reclamam que são obrigadas aesperar os turistas para conseguir um namorado", afirma.Veja o especial Retratos do Brasil: o que mostra o censo

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