População está se descuidando da Aids

O desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da aids provocou uma revolução no conceito da doença. Ela não é mais associada à morte rápida, mas sim a uma infecção crônica, cujo tratamento, apesar de dispendioso, garante ao paciente uma boa qualidade de vida.Passada a euforia inicial da terapia, porém, os efeitos colaterais começam a ser registrados. O mais grave deles é comportamental. "É inegável que a população baixou a guarda e não adota mais medidas preventivas", afirma a infectologista do Hospital Emílio Ribas, Grace Suleiman. Incluindo aí os pacientes em tratamento.Como resultado, muitas pessoas recém-infectadas já carregam o vírus resistente aos medicamentos. Problemas físicos desencadeados pela terapia também são registrados. A lista é extensa. Aumento das taxas de colesterol, triglicérides, glicemia. Uma combinação bombástica para o aparecimento de distúrbios cardiovasculares.Nos últimos tempos também passaram a ser registrados problemas ósseos: necrose na cabeça do fêmur e diminuição do cálcio. "É natural que as conseqüências comecem a aparecer agora. Temos de ficar atentos não só aos níveis de infecção, mas também às doenças que aparecem associadas ao tratamento", lembra o infectologista André Lomar.Uma de suas pacientes, por exemplo, sofreu há pouco um ataque cardíaco. "Ela não fuma, não tem histórico familiar e tem apenas 34 anos", conta.São comuns ainda casos de perda de massa muscular nos glúteos e pernas e acúmulo de gordura no abdome, seios e no pescoço. "Alguns pacientes fazem lipoescultura, mas o problema retorna", diz.

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