População das cidades pequenas melhorou de vida nos anos 90

Na década de 90, a estagnação econômica não impediu prefeituras e governos de melhorarem a qualidade de vida da população. Houve progresso em desenvolvimento humano no País, como mostram informações, divulgadas hoje, do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, um banco eletrônico sofisticado que cruza informações socio-econômicas dos censos de 1991 e de 2000. O indicador que contribuiu para reduzir a desigualdade social no País foi o aumento de matrículas no ensino fundamental. ?A contribuição da educação foi particularmente mais importante para o progresso dos municípios de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)?, explica o coordenador técnico do Atlas, Ricardo Paes de Barros. A melhoria na educação, entretanto, ainda não é suficiente para alterar a renda da população. O Atlas também mostra que os municípios com menos de 25 mil habitantes foram os que mais melhoraram a qualidade de vida da população. O progresso foi mais lento nos municípios maiores e com maior desenvolvimento humano. É o caso de São Paulo. A viagem pela década de 90 revela ainda que migrar para cidade grande pode não ser tão vantajoso quanto permanecer no interior. A diferença de bem-estar entre o centro e a periferia, nas regiões metropolitanas, também diminuiu. A exceção é o Distrito Federal que aparece em primeiro lugar em desenvolvimento humano quando comparado com os Estados, mas cai para 11.º lugar se considerar o distrito e o anel de municípios goianos e mineiros em seu entorno. O acesso à escola está diminuindo a distância de desenvolvimento entre os municípios brasileiros. Em compensação, houve pouco progresso de renda e a pobreza aumentou em vários Estados. Segundo Barros, pobreza e renda é como se fossem meios e redução da mortalidade infantil. O Atlas também mostra que municípios com o mesmo desenvolvimento humana tem problemas diferentes. Araioese, Belágua e Fernando Falcão são três municípios pobres do Maranhão com o mesmo IDH. Mas enquanto o problema em Belágua é de geração de renda, em Araioses é saúde e em Fernando Falcão, educação. O Atlas está disponível gratuitamente nos sites do Ipea, do Pnud ou da Fundação João Pinheiro que são parceiros deste projeto e será permanentemente atualializado.

Agencia Estado,

02 Outubro 2003 | 19h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.