Pontal pode ter 10 mil famílias acampadas até julho

Os movimentos de sem-terra que atuam no Pontal do Paranapanema, no oeste de São Paulo, querem chegar a 10 mil famílias acampadas até o final de julho. É mais que o dobro da população dos acampamentos já instalados na região, que totalizam 4,5 mil famílias. Há um mês eram menos de 3 mil. Os novos agregados sairão principalmente da periferia de cidades como Presidente Epitácio, Marabá Paulista, Presidente Wenceslau, Pirapozinho, Sandovalina e Presidente Prudente, para onde está se voltando a atuação dos grupos.As lideranças estão mobilizando as bases por acreditar que no segundo semestre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai acelerar os programas de reforma agrária no País. Os movimentos contam com o apoio de igrejas, principalmente a católica, e de sindicatos de trabalhadores rurais para agregar novos acampados. A mudança dos acampamentos para perto das cidades facilita a chegada de novos sem-terra.O Movimento dos Sem-Terra (MST), que atua há mais tempo no Pontal, tem 3,1 mil famílias acampadas, segundo o coordenador regional Valmir Luiz Sebastião. O número inclui as famílias do Acampamento Jahir Ribeiro, o maior da região, instalado recentemente pelo líder José Rainha Júnior em Presidente Epitácio nas margens da rodovia vicinal SPV-35. Rainha prometeu acampar 5 mil famílias.O coordenador Edi Ronan acha que até o final de julho é possível chegar a 3,5 mil barracos. "Estamos com 1,4 mil famílias cadastradas e fazendo de 70 a 80 cadastros por dia." Os acampados conseguiram do prefeito Adhemar Dassie (PSDB) a garantia de que não será pedido o despejo nas próximas semanas. A estrada é municipal.O MST iniciou a formação de duas novas frentes em Sandovalina e no município de Rosana. O acampamento de Rosana, instalado na Fazenda Três Irmãos, invadida ontem, está com 200 famílias mas pode chegar a 500, segundo o coordenador Jadson Cavalcante. "Estão se juntando a nós pessoas vindas do distrito de Porto Primavera, da cidade de Rosana e agregados dos assentamentos vizinhos."O pároco local, padre Mauro Laércio Magro, que foi hoje ao acampamento levar solidariedade aos acampados, disse que a migração é natural. "São os excluídos." Em Sandovalina, desde segunda-feira, chegaram 400 famílias. O coordenador de frente de massa, Laércio Barbosa, calcula que virão mais 600. O acampamento já ocupa perto de um quilômetro nos dois lados da via de acesso à cidade. O prefeito Divaldo Pereira de Oliveira (PMDB) pediu ao DER mais rapidez na reintegração de posse dos acostamentos. A Polícia Militar mantém rondas no local.

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