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Pomar diz que secretário do PT não defendeu partido

Doze dias após assumir o cargo de secretário-geral do PT, o deputado federal José Eduardo Cardozo (SP) foi criticado pelo secretário de relações internacionais do partido, Valter Pomar. Em carta enviada a toda militância petista, Pomar afirma que não gostou da entrevista concedida pelo novo dirigente à revista Veja e, entre outros assuntos, acusou Cardozo de não ter defendido explicitamente o atual presidente do PT, Ricardo Berzoini. Ele também criticou o fato de Cardozo ter declarado que a aceitação ou não do termo "mensalão" seria uma questão semântica.Na avaliação de Pomar, se houve mensalão, se houve uma operação sistemática de "compra" de parlamentares para garantir vitórias do governo em votações do Congresso, então houve um crime que poderia justificar uma tentativa de impedimento (impeachment) do presidente da República. "Por isso, negar a existência do mensalão não é um preciosismo retórico, literário, ''semântico''", afirmou. Pomar acredita que a posição adotada pelo colega de legenda permitiu a Veja escolher o título da entrevista: "O mensalão existiu".Em resposta à carta de Pomar, Cardozo disse que não defendeu a existência do mensalão. "A palavra ''mensalão'' pode ter vários sentidos. Por isso, não a utilizei em nenhum momento, optando por afirmar que houve situações de ilegalidade com a destinação de recursos financeiros de forma indevida a aliados políticos", afirmou. "Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos que punir quem praticou esses atos e aprender com os erros", disse o secretário-geral do PT.Berzoini e cartõesOutra reclamação de Pomar é que Cardozo não defendeu explicitamente Berzoini quando questionado se o PT estava sendo governado por um aloprado - referindo-se ao então presidente do PT e coordenador da campanha à época do dossiê Vedoin - supostas provas que tentariam ligar candidatos do PSDB à chamada Máfia dos Sanguessugas. Em relação a essa acusação, Cardozo afirmou que esse adjetivo era injusto, já que "absolutamente nada foi apurado contra Ricardo Berzoini".Na opinião de Pomar, a resposta do novo dirigente do PT leva a entender que o partido é dividido em dois campos - o dos "éticos" e o dos "desonestos". "O que além de não verdadeiro, leva o debate para longe da política, onde se situam as diferenças relevantes entre os diferentes setores do partido", afirmou.Sobre os cartões corporativos, assunto definido por Cardozo como "um problema pontual envolvendo alguns funcionários", Pomar acredita que ele deveria ter defendido o fato de o governo ter criado o sistema para garantir maior transparência em substituição às regras do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). "Foi nosso governo que garantiu a transparência na prestação de contas. Que o PSDB gastava escondido, tanto no governo FHC quanto no governo Serra, por exemplo", disse. "Mas evitar ''analisar situações individuais'' não justifica esquecer a solidariedade do Diretório Nacional com a Matilde Ribeiro", ponderou.EleiçõesOutros assuntos criticados pelo secretário de relações internacionais do PT foram sobre a sucessão à Prefeitura de São Paulo e as futuras alianças políticas que o partido precisa fazer para as eleições de 2010. Pomar não poupou críticas ao novo dirigente do partido. "Espero que a revista tenha distorcido tuas declarações, hipóteses na qual sugiro que você envie imediatamente uma mensagem ao partido, esclarecendo tudo."Na opinião de Pomar, o novo secretário-geral não adotou uma postura ofensiva na maioria das respostas. "Lendo a entrevista como um todo, é visível que Veja faz perguntas provocativas, explorando o fato de que você foi eleito graças ao apoio da chapa ''Construindo um Novo Brasil'', muito criticada por você (Cardozo) durante o PED (Processo de Eleição Direta) 2007, chapa onde está parte daqueles que integram o então ''campo majoritário''", afirmou.Pomar admitiu que é difícil escapar das provocações feitas pela imprensa e disse: "Feita esta ressalva, é preciso dizer que as repostas publicadas por Veja são ruins para o partido".

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