Políticos vão a enterro de ex-ministro da Cultura, em Minas

José Aparecido de Oliveira foi vítima de insuficiência respiratória; políticos ressaltaram suas qualidades

Eduardo Kattah, do Estadão

20 Outubro 2007 | 18h27

Parentes, políticos e amigos se despediram neste sábado, 20, do ex-ministro, ex-governador e ex-embaixador José Aparecido de Oliveira, que faleceu no início da noite de sexta-feira, em Belo Horizonte, aos 78 anos, vítima de insuficiência respiratória. Ele sofria de câncer no pulmão. O corpo de José Aparecido foi enterrado no final da tarde, em Conceição do Mato Dentro, sua cidade natal, a 154 km de Belo Horizonte. Durante o velório, realizado no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, políticos ressaltaram as qualidades de homem público de José Aparecido.   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que lembrou a relação estreita do ex-ministro com a Cultura. Ele ocupou a pasta durante o governo presidencial de José Sarney. "Uma pessoa que sempre soube valorizar a cultura e sempre colocou a utopia acima do pragmatismo imediato".   O governador Aécio Neves (PSDB) salientou a proximidade de José Aparecido com o avô, Tancredo Neves, de quem foi secretário de Cultura nos anos 80. Aécio lembrou também sua participação no processo de redemocratização do País. "Me lembro de uma cena muito marcante: José Aparecido na janela da Secretaria de Cultura, logo aqui ao lado do Palácio da Liberdade, e Tancredo na janela do seu gabinete; ambos acenando um ao outro e fazendo um gesto muito simbólico, um gesto de vitória. A vitória da democracia, para a qual, José Aparecido contribuiu muito".   O ministro da Articulação Política, Walfrido Mares Guia, preferiu ressaltar as características sempre lembradas do político mineiro, como "homem da conciliação, do senso de humor".   Valores   Já o ex-presidente Itamar Franco, que em 1992 nomeou o conterrâneo para o cargo de embaixador em Portugal, destacou a referência ética deixada por José Aparecido. "O Brasil está carente de homens que levaram a vida toda no sentido ético". Na mesma linha, seu filho, o deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira (PV), disse que o legado do pai é a "afirmação permanente dos valores éticos e morais, das mãos limpas".   Também compareceram ao velório os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM); e os prefeitos de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), entre outros políticos.   Durante a longa carreira política iniciada como militante da União Democrática Nacional (UDN), José Aparecido foi também secretário particular do ex-presidente Jânio Quadros, deputado federal e governador do Distrito Federal.   O corpo seguiu por volta das 12 para Conceição do Mato Dentro. Antes do enterro foi realizada uma missa de corpo presente no Santuário do Bom Jesus do Matosinhos. José Aparecido foi sepultado no mausoléu da família. Deixou a esposa Maria Leonor Gonçalves de Oliveira e, além de José Fernando, uma filha: Maria Cecília. O governador de Minas decretou luto oficial por três dias.

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