Amanda Perobelli / Reuters
Amanda Perobelli / Reuters

Políticos reagem à decisão do STF que declarou Moro parcial ao condenar Lula no caso triplex

Com decisão da 2ª turma da Corte, caso agora terá de voltar à estaca zero

Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 18h54
Atualizado 23 de março de 2021 | 22h23

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suspeição do ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro mobilizou políticos, líderes partidários e autoridades do meio jurídico nas redes sociais nesta terça-feira, 23. Por 3 votos a 2, a Segunda Turma entendeu que Moro foi parcial ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação do triplex do Guarujá. Agora, o caso terá de voltar à estaca zero.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que o "Estado Policial" para o qual a Lava Jato "descambou" em certos momentos, com suas "parcialidades, seletividade e perseguições", jamais poderá merecer o perdão da história. Ele afirmou ainda que o Supremo fez uma "revisão histórica" sobre a Operação, mas reconheceu sua importância no enfrentamento dos "grandes interesses" e "corrupção sistêmica".

Os advogados de Lula afirmaram, por meio de nota, que reconhecer a parcialidade de Moro fortaleceu o sistema de Justiça no Brasil. "Esperamos que o julgamento realizado hoje pela Suprema Corte sirva de guia para que todo e qualquer cidadão tenha direito a um julgamento justo, imparcial e independente, tal como é assegurado pela Constituição da República." 

Aliados do ex-presidente comemoraram a decisão da Corte, mas teceram críticas ao voto do ministro Kassio Nunes Marques contra o petista, alegando que representaria o interesse do presidente Jair Bolsonaro. "É nítido que Bolsonaro tem mais medo de Lula do que de Moro", disse o líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Bohn Gass, no Twitter. O deputado afirmou que o voto do ministro indicado pelo presidente da República foi "estranhíssimo". Ele criticou ainda a menção de Nunes às conversas interceptadas por hackers, argumentando que a defesa de Lula não mencionou o conteúdo no habeas corpus.

Em sua fala no tribunal, Nunes disse que o uso de provas obtidas de forma ilícita em processos penais seria um “incentivo enorme ao crime”. “Se hackeamento fosse tolerável para meio de obtenção de provas ninguém mais estaria seguro de sua intimidade, tudo seria permitido”, afirmou o ministro. 

Candidato derrotado do PT à presidência em 2018 e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad comemorou a suspeição de Moro e disse que o julgamento desta terça marca um "dia histórico". "Cármen reviu seu voto, para o bem do Estado Democrático de Direito. Um dia histórico. O herói foi desmascarado. O falso Messias será o próximo!!", escreveu em seu Twitter. 

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou que o Supremo encerrou nesta terça um "triste capítulo" da história do direito no Brasil. "Um juiz parcial, que persegue ilegalmente um acusado, é incompatível com o Estado de Direito. Seus atos são nulos e imorais. Só lamento que tais atos geraram lesões irreparáveis para Lula e para o Brasil."

A página do Instituto do presidente Lula disse no Twitter que o julgamento desta terça representa a "vitória da verdade".

O ministro Sérgio Moro ainda não se manifestou sobre o resultado da Corte. Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Lava Jato, disse que a Operação investigou crimes, aplicou lei e não inventou nada

Críticas

O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO) disse que o placar de 3 a 2 foi "a favor da impunidade no país". "Parcial tem sido parte da Suprema Corte do Brasil. Suspeitos são os ministros que votam contra o combate à corrupção e a favor da impunidade no país. Vergonhoso, decepcionante e revoltante!"

Já o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o "mecanismo" venceu mais uma vez e que o País caminha "para uma ruptura".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.