Políticos procuram entender recado de eleitor na urna

Concluído o segundo turno, o mundo político começa a avaliar o resultado das urnas para tentar entender o recado que o eleitor procurou enviar nesta eleição. Experientes parlamentares identificam, neste primeiro momento, a existência de um movimento por renovação. A vitória de um iniciante em disputa eleitoral na maior cidade do País seria o principal exemplo a se encaixar nesta avaliação, embora não se possa desprezar o peso do governo e a estratégia montada pelo ex-presidente Lula para eleger Fernando Haddad em São Paulo.

DENISE MADUEÑO, Agência Estado

29 de outubro de 2012 | 10h22

Setores políticos avaliam que há um cansaço do eleitor com práticas políticas antigas. Um nome novo na disputa, seguindo esse mesmo entendimento, dá a impressão para o eleitor de que se trata de uma renovação, o que nem sempre acontece.

"É preciso prestar atenção aos resultados. Há uma mudança de rumo. Nós temos de entender esse movimento", avalia o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele considera que o eleitor estava buscando mais atenção e cuidado com os problemas da cidade do que qualquer outra demanda. "Essa eleição vai mudar a perspectiva de entendimento do cenário eleitoral", afirma Cunha.

Setores do PT consideram que Lula percebeu antecipadamente a necessidade dessa renovação ao construir candidatos novos, estreantes eleitoralmente, porém sem rejeição a seus nomes. A frase memorável do ex-presidente nesta eleição resume bem esse entendimento: "De poste em poste, vamos iluminar o Brasil inteiro". Na linguagem política, poste é o candidato sem experiência e sem expressão própria, alçado à disputa pela força política de seu padrinho.

Outro indicador contribui para identificar o movimento do eleitor. Após o resultado em primeiro turno, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) constatou no estudo de acompanhamento que a entidade faz nas disputas eleitorais que o índice de reeleição de prefeitos foi o mais baixo desde, 2000, quando a legislação permitiu aos gestores o direito de concorrer a mais um mandato.

O resultado surpreendeu dirigentes da própria entidade que acreditavam na reeleição de 66% do total dos candidatos. Nesta eleição, 74,8% dos 3.659 prefeitos com direito a concorrer à reeleição, entraram na disputa. No entanto, dos 2.736 candidatos à reeleição, 1.505, ou 55%, saíram vitoriosos das urnas. O levantamento da CNM mostra ainda que, em 2008, 65,9% dos prefeitos que tentaram o segundo mandato foram reeleitos. Em 2004 e em 2000, esse número foi o mesmo: 58,2%.

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