Políticos mais antigos têm os maiores grupos

No Nordeste, Lobão, que está no Senado há 20 anos, e Sarney, que tem 16 de mandato na Casa, se destacam

Andrea Vianna, Brasília, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Os senadores com mais tempo de política são, em geral, os que têm as maiores empresas de comunicação. Dois dos maiores grupos do Nordeste, por exemplo, pertencem a José Sarney (PMDB-AP), que está na política há 52 anos, 16 deles no Senado, e a Edison Lobão (PMDB-MA), que completa neste ano duas décadas de Casa.O Grupo Gazeta, de Alagoas, é da família do senador Fernando Collor (PTB), que foi presidente de 1990 a 1992. Collor está licenciado, mas deixou sua vaga para o primo Euclydes Mello (PRB), que era diretor-presidente do Grupo Gazeta.O senador tucano João Tenório (AL), amigo dos Collor e do presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já foi sócio no Grupo Gazeta e hoje é dono do Grupo Pajuçara, que tem uma retransmissora da TV Record e duas rádios, em Maceió e Arapiraca. "Tenho só 10% na sociedade", diz.A líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), é sócia-proprietária da Rádio e TV Mirante. Por meio de sua assessoria, ela avisou que nunca exerceu cargo de direção e não "tem nada a ver com os demais negócios de comunicação (da família) no interior do Estado".?COISA INÚTIL?Lobão disse que não é mais dono da Rádio Guajajara de Barra do Corda. "Não valia nada, era uma coisa inútil, econômica e financeiramente. Só dava prejuízo, e eu vendi há uns dez anos. Nem consta mais do meu Imposto de Renda." A rádio foi vendida para Edison Lobão Filho. O senador também insistiu em que não tem "nenhuma relação" com a emissora de TV, a Difusora do Maranhão. "Nunca foi minha, é só do meu filho."A maioria dos senadores ouvidos pelo Estado desdenha do valor do negócio e do poder de comunicação de suas rádios e TVs. Eles dizem que são empresas herdadas de parentes - também políticos -, alegam que nunca as dirigiram e contam que está tudo entregue a familiares. Não mencionam que, na maioria dos casos, foram brindados pelo Executivo com a distribuição de rádios e TVs porque eram senadores ou deputados.José Agripino Maia (DEM-RN) diz ganhou suas rádios e TV de "herança". Ele aparece como sócio de uma rádio de Currais Novos e outra de Mossoró, além da TV e Rádio FM Tropical Comunicação, retransmissora da Record, em Natal.Jayme Campos (MT), secretário-geral do DEM e ex-governador, não figura na relação do Ministério das Comunicações como sócio da Rádio Industrial de Várzea Grande, mas na declaração de bens entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) constam 500 cotas do capital social da emissora.A rádio está em nome do irmão, o ex-senador e conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso Júlio José de Campos. Tanto Jayme como o irmão foram prefeitos de Várzea Grande.

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