Políticos italianos propõem boicote à Copa de 2014 em resposta a decisão sobre Battisti

Grupo liderado pelo governador de Veneto que defende boicote teria ministro como apoiador; cúpula do governo, porém, não aprova ideia

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2011 | 18h15

GENEBRA - Políticos italianos chegam a propor um boicote à Copa do Mundo de 2014 no Brasil em resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar o italiano Cesare Battisti. A ideia foi defendida nesta sexta-feira pelo governador de Veneto, Luca Zaia, que garante que tem o apoio de deputados e até por um dos ministros que faz parte da base aliada do governo de Silvio Berlusconi. A ideia, no entanto, não tem o aval da cúpula do governo e a Fifa já alerta que se um boicote fosse organizado, a seleção italiana seria punida pela entidade máxima do futebol.

 

Em 2009, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por dar a liberdade a Battisti, o governo italiano chegou a pensar na hipótese de suspender um amistoso entre as duas seleções que já estava marcado para ocorrer. Agora, um grupo de políticos quer ir além e evitar que a Azzura participe do Mundial.

 

Para Zaia, o boicote seria uma forma de "usar o palco de tal evento para dizer que o Brasil não respeita as regras da democracia". "Penso que devemos de uma forma comum elevar o tom em respeito a esse país (o Brasil) que tem um criminoso em liberdade", afirmou o governador, em entrevista à Rádio 24.

 

O governador lembra que essa não seria a primeira vez que um boicote seria realizado num evento esportivo internacional, lembrando dos Jogos Olímpicos de 1968, no México e na Coreia do Sul, em 1988.

 

Quem primeiro divulgou a ideia foi o ministro Roberto Calderoni, membro da Liga Norte e aliada do governo de Berlusconi. "Vamos boicotar o Mundial de 2014", defendeu o ministro, sem pasta. Para ele, isso seria uma forma de "enviar uma mensagem ao Brasil" e ao mesmo tempo "restituir a moral no futebol italiano". Nos últimos dias, escândalos de compras de resultados voltaram a aperecer no futebol local.

 

Mas nem todos estão de acordo. Giancarlo Galan, ministro de Bens Culturais, afirmou ser "absolutamente contrário" à proposta e que não há apoio dentro do governo para isso. "O esporte leva uma mensagem de paz e não deve se misturar à política. Eu sou contrário", disse, lembrando que também não apoiou o boicote contra os Jogos Olímpicos de Moscou em 1980. Gianni Rivera, ex-idolo do futebol italiano, classificou ontem a proposta de "absurda" e sugeriu que os canais diplomáticos fossem usados para pressionar.

 

Na Suíça, a Fifa confirmou ao Estado que um eventual boicote significaria "pesadas penas" ao futebol italiano.

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