Políticos especulam no Twitter sobre destino de Serra

Pesquisas de intenção de voto mostram queda na distância que separa Serra da ministra Dilma Roussef

Gustavo Uribe, Agência Estado

01 de março de 2010 | 19h25

A queda na distância que separa o governador José Serra (PSDB) da ministra Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de intenção de voto para a sucessão no Palácio do Planalto, como divulgada no sábado, 27, pelo Datafolha, desencadeou na rede de microblogs Twitter uma série de especulações sobre o destino político do provável candidato tucano à Presidência da República.

 

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Parlamentares que integram a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostam na desistência do governador de São Paulo na corrida presidencial, enquanto integrantes de partidos da oposição dão como certa a continuidade de Serra na disputa. De acordo com o Datafolha mais recente, as intenções de voto em Serra recuaram de 37% para 32%. Já Dilma subiu de 23% para 28%.

 

No front oposicionista, os tucanos que integram a rede de microblogs preferiram não comentar sobre a pesquisa ou a possível desistência do governador de São Paulo. O próprio Serra, o ex-governador Geraldo Alckmin (SP) e os senadores Eduardo Azeredo (MG), Flexa Ribeiro (PA) e Marconi Perillo (GO) não citaram nem comentaram a pesquisa. O senador Álvaro Dias (PR) e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, publicaram o resultado do Datafolha, mas não se alongaram sobre os resultados.

 

A defesa da eventual candidatura do governador paulista ficou a cargo dos democratas. Tido por internautas como um dos polemistas do Twitter, o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) insistiu em dois tweets que Serra não deixará a corrida presidencial. "Eu disse semana passada e repito: José Serra está na pista, em velocidade para decolar. Não tem como mais desistir. Se frear, é acidente", comparou o parlamentar. O democrata atribuiu a escalada de Dilma dos 23% para os 28%, de acordo com o Datafolha, a uma "campanha antecipada" da petista. "Quando José Serra colocar o bloco na rua, o cenário se reverte", acredita.

 

Outro oposicionista que saiu em defesa de Serra foi o deputado federal Efraim Filho (DEM-PB). De acordo com ele, o cenário deve sofrer mudanças quando o candidato tucano assumir a candidatura à sucessão no Palácio do Planalto. "Está na hora do Serra tirar o paletó de presidente e calçar o tênis de candidato", afirmou.

 

Torcida contra

 

Entre os governistas, o primeiro a levantar a bandeira da possível desistência de José Serra foi o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO). Em quatro tweets, o parlamentar recordou das eleições de 2006, quando, de acordo com ele, Serra "empurrou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP)" para a disputa depois de perceber que sairia derrotado de um enfrentamento com o presidente Lula. "Serra fica no governo de São Paulo ou sai pra perder a eleição?", questionou. "O problema do PSDB é que se o Serra não for candidato, quem vai ser?", acrescentou.

 

O deputado federal Antônio Carlos Biffi (PT-MS) afirmou por meio de sua rede de microblogs que a queda do governador paulista na última edição do Datafolha "tem deixado os tucanos à beira de um ataque de nervos". A opinião de Biffi foi endossada por outros governistas, segundo os quais a pesquisa faz crescer a possibilidade "de desistência de Serra". "Bateu o pavor nos tucanos", ironizou o deputado federal Pompeu de Mattos (PDT-RS). Há agora "um salve-se quem puder", zombou o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ).

 

Os desejos petistas, no entanto, são amenizados pelo ex-presidente do PT Ricardo Berzoini (SP), para quem ainda falta chão para a consolidação da candidatura de Dilma Rousseff. "É uma boa pesquisa pra ver que estamos no caminho certo. Mas é bom ter pé no chão, treino é treino, jogo e jogo, dizia o velho treinador", teorizou o deputado.

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