EFE/Antonio Lacerda
EFE/Antonio Lacerda

​Políticos defendem voto eletrônico após declaração de Bolsonaro

Presidente da República usou votação para atacar urnas eletrônicas, sem provas; Maia, Covas e Doria criticaram fala e disseram que Bolsonaro gera insegurança a sistema seguro

Redação, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2020 | 15h43

Na manhã deste domingo, 29, o presidente da República Jair Bolsonaro mais uma vez defendeu a implementação do voto impresso no País. Em entrevista concedida logo após votar no Rio de Janeiro (RJ), ele afirmou que só ganhou em 2018 porque “tinha muito mais votos”, colocando dúvidas sobre o atual sistema de eleições no País. A declaração, sem provas, gerou reação de políticos como o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que defenderam a urna eletrônica. 

Para Bolsonaro, o sistema ideal de votação daria aos eleitores um recibo impresso com a sua votação, o que daria a certeza ao cidadão de que o voto foi computado. A medida, na visão do presidente da República, também facilitaria uma recontagem.

Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também se pronunciou sobre o tema em sua conta no Twitter. 

Em setembro deste ano, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) se debruçou sobre o tema e impediu tal método, dizendo que a prática seria inconstitucional, não garantiria o sigilo do voto e nem traria maior segurança às votações. 

Para o deputado Rodrigo Maia, o momento não é de discussões – ele se disse favorável a um sistema de amostragem do voto impresso, o que, em tese ajudaria a garantir a confiança das urnas eletrônicas, mas não seria válido para todos os eleitores do País. "Não pode misturar o voto impresso com o ocorrido no primeiro turno (atraso na contagem), essa mistura acaba gerando uma insegurança num sistema que é muito seguro", disse Maia. "Eu sempre fui defensor de uma amostragem do voto impresso, mas tratar desse assunto agora é colocar em xeque um sistema que vem dando certo, que é muito seguro, não deveria estar na pauta agora."

Para tucanos, sistema é seguro e confiável

Para o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes, só quem duvida da democracia critica o sistema de votação. “Não há nada que indique a urna eletrônica seja vulnerável. É um sistema seguro, que já foi comprovado, fiscalizado, checado e auditado”, disse o tucano, após votar no colégio St. Paul, na zona sul de São Paulo, neste domingo. 

Seu colega de partido e candidato à reeleição na Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) também falou sobre o assunto em uma rápida entrevista coletiva. Para Covas, a pluralidade dos resultados já ocorridos em urnas eletrônicas comprova a confiabilidade do sistema. "O voto eletrônico elegeu FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro. Não dá para colocar em dúvida um sistema que elegeu pessoas e partidos tão diferentes. Confio na Justiça Eleitoral", disse o prefeito da capital paulista. 

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