Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

AO VIVO

Eleições: 2020: notícias, resultados e apuração do 2° turno

Ex-governador Alberto Goldman é sepultado em São Paulo

Velório e sepultamento de Alberto Goldmann (PSDB) foram acompanhados por familiares, amigos e políticos de diversos partidos

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 13h52
Atualizado 03 de setembro de 2019 | 15h10

O corpo do ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) foi sepultado nesta segunda-feira, 2,  no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo, cercado de familiares, amigos e de políticos de vários partidos. Goldman tinha 81 anos e estava internado no hospital Sírio-Libanês, onde passou por cirurgia para estancar uma hemorragia no cérebro, mas não resistiu.

Flávio, um dos cinco filhos do ex-governador, disse que até os últimos dias de vida ele demonstrava indignação com o que considerava retrocessos políticos no Brasil. “Ele se indignava e se revoltava, inclusive com a situação trágica de retrocessos que vivemos hoje no Brasil”, disse Flávio ao se despedir do pai. A pedido da família, o enterro teve uma cerimônia breve conduzida pelo rabino Yossi Alpern.

O senador José Serra (PSDB-SP), os ex-vereadores Andrea Matarazzo (PSD), Nabil Bondouki (PT) e o vereador José Rolim (PSDB) acompanharam o sepultamento. A maior parte das autoridades, no entanto, se despediu do ex-governador mais cedo, no velório, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou que esteve ao lado de Goldman na democratização e classificou o ex-governador como “um homem correto e sério”. “Goldman sempre foi um grande político, uma grande pessoa que nunca se aproveitou da vida política”, disse. 

O prefeito Bruno Covas (PSDB) lembrou da ligação que Goldman tinha com seu avô, o também ex-governador Mário Covas. “É uma pessoa que lutou a vida inteira contra a ditadura. Era a favor da democracia, dos mais necessitados. A cidade de São Paulo fica muito triste.”

Desafeto de Goldman, o governador João Doria não compareceu. Ele decretou luto de três dias e ofereceu o Palácio dos Bandeirantes para o velório, mas a família preferiu a Assembleia.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (MDB), disse que Goldman foi “muito generoso” – o apoio do tucano à candidatura do emedebista ao governo de São Paulo, no ano passado, contra um então candidato do PSDB, foi o estopim para o pedido do grupo de Doria de expulsão do partido do ex-governador, posteriormente barrado pela Executiva. “Guardo com muito carinho essa atitude”, disse Skaf.

O ex-governador Geraldo Alckmin disse que Goldman é uma referência para os tucanos. “Ele é uma bela luz para orientar os novos tempos do PSDB.”

Para Serra, a ausência de Goldman é ainda mais sentida no momento em que o PSDB passa por mudanças radicais. “Ele foi um grande homem público, um batalhador na luta pela redemocratização e por um novo desenvolvimento do Brasil. Neste momento do PSDB e do Brasil, vai fazer mais falta ainda”, disse Serra. 

O vereador e ex-senador Eduardo Suplicy, do PT, contou que entrou no MDB nos fim dos 70 incentivado por Goldman. “Ele era uma voz progressista no PSDB”, afirmou o petista.

O ex-presidenciável Eduardo Jorge, da Rede, chamou Goldman de “porto seguro” no PSDB. “Essa polarização infernal que o Brasil copiou da Argentina está destruindo o PSDB. A perda de Goldman acelera mais esse processo. Goldman era um porto seguro de pessoas sensatas e fiéis ao ideário social-democrata do PSDB”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.