Políticos atuaram em favor do ativista

Francesa diz ter recebido apoio de Dirceu, Suplicy, Gabeira e outros

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Uma rede de contatos com deputados, senadores e membros do governo, em Brasília, garantiu à historiadora e escritora francesa Fred Vargas, líder de um grupo de apoio ao extremista Cesare Battisti, a aproximação com o Ministério da Justiça. Entre os políticos estavam o senador Eduardo Suplicy (PT), o deputado Fernando Gabeira (PV), o secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. A afirmação foi feita ao Estado ontem, em Paris, pela própria escritora.Desde março de 2007, quando Battisti foi preso no Brasil, Fred Vargas esteve no País seis vezes - em Brasília, São Paulo e no Rio -, sempre fazendo contatos em defesa do extremista. Segundo a escritora, a primeira iniciativa de viajar ao Brasil não contou com o apoio de ninguém.Com o passar do tempo, contudo, uma rede de contatos solidários se estabeleceu. "Aos poucos, pessoas incríveis, deputados, senadores, políticos, nos auxiliaram", afirmou. Entre eles, enumera, estariam Gabeira, Suplicy, Vannuchi e Dirceu.Fred Vargas nega ter recebido auxílio do presidente da França, Nicolas Sarkozy, mas reconhece ter se encontrado com autoridades francesas e brasileiras no intervalo de um mês. "Em novembro, Sarkozy me recebeu e falamos do assunto. Depois disso, em dezembro, fui ao Brasil e fui recebida pelo secretário (Nacional de Justiça) Romeu Tuma Jr. Mas não houve intervenção de nenhum governo."Eric Turcon, advogado de Battisti na França, negou interferência do Palácio do Eliseu contra a extradição do militante. "Jamais disse que o governo francês havia interferido contra a extradição ou em favor de qualquer privilégio para Cesare Battisti." Mas acrescentou: "O presidente solicitou ao governo brasileiro que Fred Vargas fosse recebida por uma autoridade, o que acabou acontecendo".A autoridade deveria ter sido o ministro da Justiça, Tarso Genro, mas um compromisso inesperado o teria feito desistir do encontro. Em seu lugar, quem recebeu a escritora foi Romeu Tuma Jr. "O governo brasileiro não humilhou o italiano, apenas respeitou sua Constituição. Foi corajoso, surpreendente, exemplar", elogiou Fred Vargas. "Tenho a impressão de que o Brasil é o verdadeiro país dos direitos humanos."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.