Políticos acham "natural" demissões

As demissões dosministros e diretores de autarquias foi aceita nesta sexta-feira como uma atitude natural dopresidente Fernando Henrique Cardoso, entre parlamentares da oposição e da basegovernista. Para o líder da oposição na Câmara, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), opresidente não tinha outro caminho senão a demissão. ?O presidente resolveu sair dapostura de ser calado por convicção para agir por convicção?, disse Pinheiro.Para o parlamentar petista, o próximo passo depois dessas demissões caberá aoCongresso. Segundo ele, na próxima semana a oposição deverá entrar com um pedido paraa criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúnciasfeitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), publicadas na revista IstoÉ.O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), considerou a atitude do presidenteFernando Henrique acertada. ?Só cabe ao presidente da República fazer uma avaliaçãode seus cargos de confiança, como nos ministérios?, disse. Agora, para Lessa, aexpectativa é que o presidente recomponha a administração de forma a atender aosanseios da sociedade. ?Esse momento de crise é uma boa hora para corrigir erros efazer uma reforma ministerial?.Também o deputado tucano Alberto Goldman (SP) acha que pode ser um bom momento parauma reforma ministerial. ?É uma boa oportunidade para recompor a base governista emudar ministérios que estão andando a passos de cágado?, disse. Para Goldman, o quetem de ficar claro para todos os partidos da base é que ministérios não são?capitanias hereditárias?.O vice-líder do PFL na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), considera a ação dopresidente acertada. ?Acho que o presidente Fernando Henrique não tinhaalternativa a não ser demitir os ministros?, considerou. Segundo ele, o partido,contudo, não se sente retaliado. O deputado acredita que as novas nomeações para osministérios da Previdência e das Minas e Energia deverão ficar nas mãos do PFL. ?Issoé natural porque o PFL é da base governista, e o senador Antonio Carlos agora estáisolado?.O deputado pefelista Roberto Brant (MG) também considera a decisão do presidenteacertada, mas acha que as demissões comprovam que ?o sistema escolhe ministros não sópela competência, mas por indicação de partidos, de grupos?. Mesmo assim, oparlamentar é contra a idéia de uma CPI para investigar as denúncias de ACM. ?Umacomissão de inquérito nesse momento pode paralisar o governo; seria correto sehouvesse provas e não só especulações?, disse.

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