Políticos dizem que operação foi ‘surpresa’

Ministros afirmam que estão à disposição para esclarecimentos; defesa do senador Edison Lobão (PMDB-MA) alega constrangimento

Erich Decat, Sandra Manfrini, Carla Araújo e Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - Da lista de políticos alvo da Operação Catilinárias, desdobramento da Lava Jato, dois senadores e dois ministros afirmaram nesta terça-feira,15, que foram surpreendidos com a ação da Polícia Federal. Eles disseram que vão colaborar com as investigações. Três deles, os ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e o senador Edison Lobão (MA), são do PMDB. O quarto é o senador Fernando Bezerra, do PSB de Pernambuco.

O titular do Turismo afirmou, por meio de nota, que ficou surpreso com a ação, mas se pôs à disposição para esclarecimentos. “Apesar de surpreso, respeito a decisão do Supremo Tribunal Federal. Estou, como sempre, à disposição para prestar qualquer esclarecimento que se fizer necessário”, disse Alves.

O ministro se reuniu nesta terça-feira com o vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer, que recebeu também peemedebistas da ala favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, considerou a operação de busca e apreensão realizada pela manhã no apartamento do peemedebista como desnecessária e constrangedora. “Acho desnecessário (busca e apreensão), o Lobão estava contribuindo, mas é um direito do Supremo Tribunal Federal determinar. Não temos nenhuma preocupação com o que vai ser apreendido porque não tem nada que possa comprometer o senador”, afirmou o advogado ao Broadcast, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado.

Segundo ele, na hora da operação realizada pelos agentes federais, o senador não estava na residência. “Ele não estava em casa, porque ele está em processo de mudança. Não temos preocupação com o que vai ser apreendido. Mas claro que é constrangedor”, ressaltou o advogado. As buscas foram feitas em residência no Lago Sul, onde mora o filho do senador. Lobão se mudou recentemente, no entanto, para outra casa no mesmo bairro. O advogado informou que colocou o segundo endereço à disposição dos investigadores para que fossem realizadas as buscas também na nova casa. Procurado, Lobão disse que apenas se pronunciaria por meio do advogado. “Não vou comentar. Ele está à frente disso”, ressaltou o senador.

As buscas relativas a Lobão têm como origem uma investigação sobre suspeita de propinas ao PMDB em obras da usina da Angra 3. O repasse de R$ 1 milhão supostamente direcionado ao senador é relatado em delação premiada pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, e por um ex-diretor da empresa, Walmir Pinheiro. 

‘Verdade’. O ministro da Ciência e Tecnologia também divulgou nota nesta terça-feira dizendo que “abre mão espontaneamente” de seus sigilos bancário e fiscal. Pansera ocupou no Ministério uma das vagas que coube ao PMDB no governo Dilma Rousseff. Na nota, divulgada pela pasta, ele manifesta “pleno interesse no esclarecimento dos fatos sob investigação”. “Pansera está certo de que o andamento das investigações estabelecerá a verdade”, diz a nota.

O senador Fernando Bezerra (PSB-PE) reiterou, por meio de sua assessoria de imprensa, sua confiança no trabalho das autoridades que conduzem a investigação. De acordo com nota, o senador acredita “no pleno esclarecimento dos fatos e continua, como sempre esteve, à disposição para colaborar com os ritos processuais e fornecer todas as informações que lhe forem demandadas”. Ainda de acordo com o texto, a ação da Polícia Federal ocorreu no escritório político do senador Fernando Bezerra em Petrolina (PE). 

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, afilhado político do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), declarou em nota à imprensa, que está “certo da lisura de sua gestão à frente da empresa”. À frente da subsidiária de logística da Petrobrás desde 2003, Machado pediu licença do cargo em novembro do ano passado após denúncias de que ele teria entregue R$ 500 mil ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa como pagamento de propina. Em fevereiro de 2015, ele entregou sua carta de renúncia. “Sérgio Machado está à disposição de todos os órgãos envolvidos nas investigações.” / COLABOROU BEATRIZ BULLA

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