Político precisa de muita conversa para atrair jovem do Orkut

Esqueça o discurso, exercite odiálogo. Difícil para políticos? Pois este é exatamente ocomportamento esperado de candidatos que querem atingir oeleitor das comunidades da Internet, como Orkut e You Tube,cujo uso vêm crescendo no país em campanhas eleitorais. A recomendação é de Marcelo Coutinho, professor da ESPM ediretor de análise e mercado do Ibope. "O site do candidato é só discurso, não tem interatividade.Se você quer usar as comunidades de Internet, é precisodialogar", disse ele à Reuters, tendo em mente o convencimentode candidatos sobre o eleitorado. Coutinho, que realizou pesquisa em conjunto com dois outrosprofessores da ESPM sobre uso da Internet nas eleiçõespresidenciais de 2006, vai ainda mais longe ao aconselhar oscandidatos que pretendem utilizar estas redes: "Esqueçam tambéma noção de controle". Ou seja, para o pesquisador, o político precisa sedesprender daquela neurose de que uma parte dos que querementrar em contato com ele em um site ou uma comunidade deInternet são adversários e concorrentes que só queremprejudicá-lo. Nessas comunidades, os candidatos podem entrar em contatocom os eleitores jovens, os mais resistentes a temas políticos.Ao mesmo tempo, o levantamento dos pesquisadores indica que háinteresse pelo assunto, já que existem aproximadamente 180comunidades no Orkut sobre os atuais principais candidatos aprefeito da cidade de São Paulo, num universo de quase milcomunidades sobre eleições. O número total é superior ao de julho de 2006, quando foramencontradas 46 comunidades sobre os principais candidatos apresidente. Nas duas eleições, o que chama mais a atenção sãoas comunidades pró e contra candidatos. Há dois anos, a maiorcomunidade pró-Geraldo Alckmin (PSDB) reunia 221 milintegrantes e a maior pró-Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 106mil. O crescimento contrasta com o interesse menor despertadopelas eleições municipais do que pelas presidenciais. Indica,por outro lado, o avanço do uso deste meio. Pelo Orkut, rede social do Google, é possível participar defóruns de discussão sobre os temas mais diversos e fazer ouencontrar amigos. Dos 60 milhões de usuários do Orkut em todo omundo, 27 milhões ficam no Brasil. É preciso, no entanto, dar um desconto no dado fornecidopelo Google uma vez que ele não identifica um mesmo usuário quese cadastre com nomes diferentes. "As eleições locais mobilizam menos os eleitores do que aseleições nacionais, mas dado o crescimento acelerado da Web nosúltimos anos e a popularidade crescente das redes sociais, podeser que ao menos na Internet esta regra não se confirme",acredita Coutinho, que junto com os colegas vai atualizar apesquisa com os dados da eleição municipal, que ficará prontaem 2009. INTERNET BATE REVISTAS A Internet como um todo está acima das revistas como meioutilizado pelos eleitores para conhecer os candidatos. Naseleições de dois anos atrás, segundo o Ibope, a Internet foi omeio de informação indicado por 6 por cento dos eleitores, ou7,8 milhões do total de 126 milhões de eleitores daquelaeleição. As revistas ficaram com 4 por cento e os meios tradicionaispermaneceram bem à frente: TV (76 por cento), jornais (29 porcento) e rádio (28 por cento). Coutinho afirma que o patamar atual do Brasil é similar aodos Estados Unidos no início da década, quando a Internetsuperou primeiro as revistas, depois o rádio e, na atualdisputa presidencial, se transformou na segunda fonte deinformação para os eleitores depois da TV. O candidato democrata Barack Obama optou por reduzir suaestrutura administrativa para fazer campanha pela Internet. Eletem usado as redes sociais para gerar envolvimento econtribuição financeira para sua campanha. O professor afirma ainda que, apesar de o uso da Internetpara temas políticos ser menor do que nos EUA e na Europa e terimpacto limitado na decisão de voto, os brasileiros, das faixasA e B, estão entre os que passam mais tempo na Web em casa,ultrapassando norte-americanos e europeus.

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