Político de Alagoas levanta polêmica sobre urnas eletrônicas

Uma nova polêmica sobre o uso de urnas eletrônicas em eleições brasileiras surgiu em Alagoas. O candidato derrotado ao governo do Estado, João Lyra (PTB), levantou suspeitas sobre o resultado da eleição que disputou e perdeu, com base em um laudo encomendado ao Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) que indicou problemas no sistema de votação, que poderiam levar a fraudes. Segundo a auditoria, os programas de muitas urnas operaram de forma indevida ou inesperada. Apesar de ser favorito nas pesquisas de intenção de voto, Lyra perdeu a eleição para o tucano Teotônio Vilela Filho, que obteve já no primeiro turno 55,85% dos votos válidos. Lyra conseguiu 30,51%. O político do PTB perdeu, inclusive, em locais que são seus redutos eleitorais.Uma representação tramita na Justiça questionando a eleição. A auditoria feita pelo ITA detectou que parte das urnas eletrônicas utilizadas apresentava arquivos de controle, conhecidos como "log", corrompidos e concluía que, dessa forma, ficava sob suspeita o resultado da votação e apuração nessas urnas. Entre os problemas detectados pelos auditores estão a totalização de votos oriundos de urnas que não existiam, e a existência de urnas sem nenhum voto.Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Marco Aurélio Mello anunciou na sexta-feira, 19, que o órgão deverá contratar em breve a Universidade de Campinas (Unicamp) para que elabore um estudo com o objetivo de comprovar a segurança do sistema do sistema de votação eletrônico. "O sistema não está em jogo como um grande todo. É claro que onde o homem coloca a mão há possibilidade de desvirtuamento. Mas até aqui temos um sistema que vem sendo observado há dez anos sem uma impugnação séria", disse Marco Aurélio. O TSE sustenta que, apesar dos problemas encontrados nas urnas usadas em Alagoas, o resultado das eleição não foi fraudado.Um dos maiores opositores ao uso de urnas eletrônicas em eleições brasileiras foi o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, morto em junho de 2004. Ele sustentava uma eleição poderia ser manipulada por meio das urnas eletrônicas. Em entrevista concedida em 2000, quando disputou a prefeitura do Rio de Janeiro, Brizola disse: "Não há verdade eleitoral quando não há possibilidade de recontagem. Estamos empenhados em demonstrar que essas máquinas são passíveis de manipulação. Com essas máquinas vai sair o que eles querem. Não há um documento, não há um recibo, não há nada que se possa recontar. Depois de dado o voto, ele desaparece, se dissolve, acabou."

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