Políticas para mulheres terão R$ 1 bi, diz Lula

Em abertura de conferência, presidente anuncia novo pacote de medidas para enfrentar violência doméstica

Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem à noite investimento de R$ 1 bilhão até 2010 em ações para enfrentar a violência contra as mulheres no País, incluindo a criação de juizados especiais para casos de violência doméstica, defensorias públicas e mais delegacias especiais, além de campanhas educativas. Ele fez o anúncio na abertura da 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, diante de uma platéia de mais de 3 mil participantes.O Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres foi decidido durante a tarde, na reunião da Junta Orçamentária. Os ministro da junta começaram a debater a divisão de verbas para a área social e Lula quis definir quanto poderia ser acrescentado ao orçamento da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, para poder informar na abertura da conferência.À noite, recebido por uma onda de "Olé, Olá, Lula lá" - um dos gritos de campanha desde 1989 -, Lula mostrou descontração. "Eu já participei de muitos atos no Brasil e no mundo, mas nenhum com tantas mulheres juntas", brincou. No discurso, citou como avanços a eleição de Michele Bachelet à Presidência do Chile e a candidatura de outras mulheres na América Latina. "Mas isso não é de graça, é conquista. Não é assim, bate palma e acha que conquistou. Não, isso é muita organização política."PARAPANMais cedo, no Rio, Lula comparou o comportamento dos visitantes do Planalto ao dos cães-guia que estiveram lá em setembro, acompanhando deficientes visuais. "Os cães-guia entraram sem fazer nenhum estrago. Ao contrário, os cães se portaram melhor do que muita gente que vai ao palácio", afirmou, em discurso a atletas dos Jogos Parapan-Americanos.No evento, Lula atacou o preconceito. "Vocês não serão tratados como cidadãos e cidadãs de segunda classe porque Deus fez vocês diferentes de outras pessoas. As pessoas precisam aprender, de uma vez por todas, que o preconceito é uma das doenças mais nojentas que a humanidade criou." Após falar do esforço dos atletas, emendou: "Muita gente tem duas pernas e não pratica 1% do esporte que vocês, que estão na cadeira, praticam."Para ele, limitar o uso de cães-guia é um crime contra "pelo menos 15% da população, que tem algum problema de deficiência". Lula completou dizendo "até eu" e levantando a mão esquerda - com quatro dedos, em decorrência de acidente de trabalho.No discurso, o presidente foi seguidamente aplaudido pelos atletas. Na abertura do Pan, no mês passado, foi vaiado no Estádio do Maracanã.No início da visita, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem aos 199 mortos no acidente do Airbus da TAM para os mortos e feridos no terremoto de anteontem no Peru. Ele ainda assinou documento de apoio oficial do governo à candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

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