Política nos Estados opõe Roseana ao comando do PFL

A exigência da pré-candidata a presidente e governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), de que seu partido lance candidaturas fortes aos governos Estaduais, contrapondo-se à aproximação entre PSDB e PMDB, pode abrir a primeira crise entre a presidenciável e o comando partidário. O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornausen (SC), disse que a direção nacional não vai interferir em regionais onde os alianças políticas já estão fechadas."Há regionais, como Pernambuco, em que os acordos estão fechados e não serão mexidos", afirmou Bornhausen. Mas Roseana teme que a aliança estadual entre o PSDB e o PMDB do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, acabe produzindo uma parceria na corrida presidencial e, por isto, já trabalha para montar um palanque alternativo forte no Estado. A pré-candidata gostaria de ter o vice-presidente Marco Maciel disputando o governo local, o que não coincide com os planos da direção do PFL para Maciel. A cúpula pefelista quer o vice como senador e, na expectativa de eleger a maior bancada do Senado, já sonha com Maciel na presidência da Casa. Apesar do namoro de Jarbas com o pré-candidato tucano e ministro da Saúde, José Serra, dirigentes do PFL ainda apostam que o governador não trocará uma reeleição fácil por um projeto eleitoral duvidoso. Cauteloso, o governador Jarbas Vasconcelos insiste que não é hora de tratar de candidatura a vice-presidente. Mais do que isto, ele já avisou ao comando pefelista que jamais excluiu Roseana do processo eleitoral. "Admito votar com ela, se ela se mantiver e chegar ao final como a melhor opção das forças governistas". Nas mesmas conversas, porém, não escondeu que, hoje, considera Serra o candidato mais preparado e capaz. Dirigentes do PFL pernambucano também já deram sinais de que a seção pernambucana é forte demais para admitir tutela. "Pernambuco não vai se submeter ao panorama nacional, até porque o fato político é um fato essencialmente local", diz um influente pefelista pernambucano. Segundo o político, esta lógica só pode ser invertida quando o diretório estadual é inexpressivo em tradição política e em espaços de poder. Na mesma linha, Bornhausen explica que há uma orientação de troca de idéias e muita conversa entre a direção nacional e as regionais, mas sempre respeitando o princípio da independência. Especialmente nos casos em que as seções estaduais são fortes, como o de Pernambuco. Mas, ainda que Jarbas desista da reeleição para embarcar de vice na corrida presidencial, Maciel não deve candidatar-se ao governo.Nesta eventualidade, raciocina Bornhausen, o vice-governador Mendonça Filho (PFL) será, "automaticamente" o candidato. Isto porque a composição de uma chapa com Serra obrigaria Jarbas a renunciar ao governo já em abril. "Nesta hipótese, o Mendoncinha ficaria seis meses à frente do governo e o candidato natural é quem está governando", diz Bornhausen. "Mas não acredito nisto", arremata.

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