Ueslei Marcelino/ REUTERS
Ueslei Marcelino/ REUTERS

Renan critica Cunha e diz que política não pode cuidar de 'caprichos'

Presidente do Congresso manda indireta para presidente da Câmara que havia condicionado a votação dos vetos presidenciais à análise do veto às doações empresariais para campanhas políticas

BERNARDO CARAM, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 17h17

Brasília - Depois que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez pressão para que o Congresso avaliasse a permissão de financiamento privado de campanhas eleitorais, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), enviou um recado ao colega. "Não temos nenhuma dúvida de que temos que colocar o interesse nacional acima de qualquer questão. A política pode tudo, mas ela não pode sinalizar que está cuidando apenas dos seus caprichos", afirmou.

Cunha havia condicionado a votação de vetos presidenciais em sessão do Congresso nesta quarta-feira, 30, à exigência de que também fosse analisado o veto publicado nessa terça que impediu o financiamento privado de campanhas. A decisão da presidente se baseou em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou esse tipo de doação inconstitucional.

Com discordância sobre o prazo para essa análise, Renan não aceitou colocar o item para votação. "A condição era que apreciássemos o veto que foi aposto ontem. Isso na prática seria uma temeridade porque pareceria confrontação de poderes. Não é uma boa sinalização para a democracia", disse.

Cunha ameaça estender as sessões da Câmara, que funcionam no mesmo plenário onde devem ser analisados os vetos, até que a sessão do Congresso seja inviabilizada nesta quarta-feira. A tentativa do peemedebista é que propostas com esse tema sejam votadas até outubro, antes do prazo de um ano para que possam valer nas eleições municipais de 2016. "Não há, evidentemente, uma disputa política, de poder. É um problema espacial", afirmou Renan. Ele destacou que a apreciação dos vetos da chamada ''pauta-bomba'' é uma sinalização importante.

Sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que define a possibilidade de financiamento privado de campanhas, Renan afirmou que a votação só será viabilizada se houver acordo para que sejam dispensados prazos das votações. A proposta é defendida por Eduardo Cunha.

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