Política hoje: manobras de sobrevivência

Veja a previsão da agenda para esta sexta-feira, 20

Elizabeth Lopes e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2017 | 08h55

Com o objetivo de garantir votos para derrubar a segunda denúncia da PGR por obstrução da Justiça e formação de quadrilha, em votação prevista para ocorrer no plenário da Câmara dos Deputados na próxima quarta-feira, 25, conforme promessa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente Michel Temer dá prosseguimento hoje a mais um capítulo na estratégia de costurar a sua sobrevivência no Palácio do Planalto, com a exoneração dos ministros que detém mandato de deputado federal para reforçar o placar da votação. O Diário Oficial da União traz na edição dessa sexta-feira, 20, a exoneração de oito ministros, que somados a Fernando Bezerra Coelho Filho, exonerado na quarta-feira, 18, darão nove votos ao peemedebista.

+++ Base rejeita agenda do governo no pós-denúncia

Os titulares exonerados ficarão licenciados dos ministérios até o dia 25, data prevista para a votação na Câmara. Foram exonerados hoje: Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo); Mendonça Filho (Educação); Bruno Araújo (Cidades); Leonardo Picciani (Esporte); José Sarney Filho (Meio Ambiente); Ronaldo Nogueira (Trabalho); Marx Beltrão (Turismo); e Maurício Quintella (Transportes). Na quarta-feira, 18, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, por 39 votos a 26, relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) que prega a rejeição da denúncia contra Temer e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha. Raul Jungmann, da Defesa, que havia sido exonerado junto com Bezerra Filho, para apresentar emendas individuais ao Orçamento de 2018, foi reconduzido ao cargo de ministro hoje. O prazo para o protocolo das emendas termina hoje.

Segundo informa a Estadão/Coluna do Estadão, o Palácio do Planalto e a cúpula peemedebista criaram uma força-tarefa para pressionar os deputados do partido que ameaçam votar a favor da abertura de processo contra Temer. O objetivo é reduzir as defecções e aumentar o número de votos para mostrar força política. Na primeira denúncia, sete peemedebistas apoiaram a investigação e três faltaram. Agora, estão sendo avisados de que o partido não vai mais perdoar dissidentes. A pressão também será feita sobre deputados de partidos aliados, principalmente siglas que ocupam ministérios. Quem votar contra Temer será tratado como inimigo.

O PSDB continua com sua crise interna, desta vez, com o impasse em torno da presidência da sigla e a resistência de Aécio Neves (MG) em deixar o posto definitivamente, como deseja o titular interino, Tasso Jereissati. Na quinta, 19, os tucanos João Doria e Marconi Perillo pediram publicamente a permanência de Aécio até as eleições internas do partido, em dezembro. Deputados do PSDB, mesmo após o apoio do PMDB a Aécio, não devem entregar novos votos pró-Temer na segunda denúncia. O prazo dado para Aécio decidir se renuncia ou não ao comando tucano termina na próxima terça-feira, 24.

A executiva nacional do PT se reúne nessa sexta-feira em São Paulo para discutir a conjuntura nacional, preparar a caravana de Lula por Minas e o aniversário de 37 anos do partido, comemorado em fevereiro do ano que vem.

O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta sexta-feira, 20, o operador de propinas do PMDB Jorge Luz a 13 anos e oito meses de prisão pelos crimes de corrupção e de lavagem. O magistrado imputou lavagem de dinheiro a Bruno Luz, filho de Jorge, e seis anos e oito meses de reclusão. Ao condenar Jorge Luz, o magistrado afirmou que o operador "faz do crime de corrupção e de lavagem a sua profissão, visando seu próprio enriquecimento ilícito e de terceiros".

A seguir, os principais itens da agenda de hoje.

Temer/Paraná. O presidente Michel Temer viaja hoje a Palotina, no Paraná, onde participa de cerimônia de comemoração aos 20 anos do Complexo Agroindustrial e, ainda, da inauguração do maior abatedouro de peixes do Brasil.

Doria/Paraguai. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e os ministro Aloysio Nunes Ferreira, Dyogo Oliveira e Ricardo Barros, além de deputados e senadores, participam do Meeting Internacional em Assunção, no Paraguai.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.