'Política externa não se faz com o fígado', diz Dilma

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje considerar "prudente" que governantes e dirigentes políticos "guardem para si" suas opiniões em relação aos governos de outros países. "Devemos nos manifestar diante de golpes de Estado. No restante, há que se ter certa cautela", disse a presidenciável, em entrevista a jornalistas após participar de almoço e debate com integrantes do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. Questionada, a candidata não esclareceu se as declarações faziam referência ao seu adversário tucano, o candidato José Serra, que recentemente criticou os governos do Irã e da Bolívia. "Acho prudente saber que política externa se faz com a cabeça, não com o fígado", afirmou.

ANNE WARTH, Agência Estado

05 Julho 2010 | 16h21

Ao relembrar as divergências entre Brasil e Bolívia sobre o fornecimento de gás natural, a ex-ministra-chefe da Casa Civil disse que o governo Lula se recusou a atender clamores para que o País demonstrasse seu poderio diante do vizinho. Da mesma forma, ela citou que o Brasil evitou um novo conflito com o Paraguai por conta da polêmica sobre a Usina Hidrelétrica de Itaipu.

"É importante saber que não devemos resolver questões regionais criando novos conflitos", afirmou. "Não é prudente fazer críticas a País nenhum. O governante não pode fazer isso, a não ser que queira romper relações." A candidata do PT ressaltou, contudo, ser contra prisões de caráter político. "Sou contra prisões políticas porque sei o que elas são. Mas sei perfeitamente que não se faz política externa impondo o seu modelo a outro país."

Embora tenha recomendado cautela na análise de decisões de outros países, a ex-ministra se posicionou contra a invasão do Iraque por tropas norte-americanas. "Não achei correta a invasão do Iraque", opinou. "Se fizermos um balanço, acho que criou-se um tumulto ainda maior no Oriente Médio. Mas a minha opinião é minha e de metade do mundo. Minha e da torcida do Flamengo."

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