Política econômica necessita de ajustes, diz João Paulo

O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), concorda com o resultado da reunião do Diretório Nacional do PT, realizada no final da semana em São Paulo, que pediu mudanças no governo Lula, mas adverte que há uma tendência exagerada à crítica logo após as eleições. "É evidente que a política econômica, depois de dois anos, tem de sofrer ajustes", afirmou domingo à noite o deputado petista durante entrevista ao programa Canal Livre, da "Rede Bandeirantes"."Como nós (PT) não temos coisas positivas em algumas áreas, em particular na social, para dar combustível para a nossa militância, a gente se agarra na crítica", explicou o presidente da Câmara. Porém emendou, "de fato, não dá para se praticar dois déficits nessa política econômica de forma simultânea: aumentar os juros e o superávit. Nós vamos ter que folgar em um."Embora procurando poupar o ministro Patrus Ananias, João Paulo criticou os resultados na área social do governo Lula. "Não adianta creditar a uma pessoa a eventual dificuldade de apresentar resultados na área social. O problema é que nós não estamos com foco", disse ele. O presidente da Câmara citou como exemplo as marcas implementadas no setor durante a campanha de Marta Suplicy. "Ela perdeu a eleição, mas nunca mais vai perder a bandeira de que foi a prefeita que construiu os CEUs, ela nunca mais vai perder a bandeira de que fez o bilhete único."Quanto à alegação da prefeita Marta Suplicy de que a política econômica teria sido responsável por sua derrota, o presidente da Câmara foi enfático: "Eu acho uma injustiça. Não tem nada a ver", disse. Em sua opinião, a derrota em São Paulo foi uma soma de pequenos erros, como a criação de novas taxas. "A política econômica e o governo do presidente Lula não elegeram ninguém, não derrotaram ninguém. Não há correspondência entre o cenário nacional e as eleições municipais."João Paulo garantiu que a proposta de sua reeleição à Presidência da Câmara é coisa do passado. "Do meu ponto de vista, não tem mais reeleição", reiterou o deputado petista. Ele explicou, no entanto, que a proposta original ainda terá que ser votada antes de ser definitivamente arquivada. "Ela está morta, mas ainda não está sepultada", frisou. O presidente da Câmara adiantou que deverá ser um dos pré-candidatos do PT ao governo do Estado de São Paulo: "O meu nome está colocado e eu não vou fugir dessa responsabilidade".Afirmou também que, pela importância e tamanho da bancada, o PMDB deve ter mais espaço, para continuar fazendo parte da base aliada do governo. "O governo tem que evidentemente dar o seu espaço correspondente", sugeriu João Paulo. "O governo é composto de vários partidos, de várias opiniões e cada um deve ter a sua participação. Eu acho que o PMDB deve continuar no governo."João Paulo Cunha acha que nesta semana, finalmente, a Câmara Federal conseguirá desobstruir as votações depois da ´greve branca´ dos deputados pela liberação das emendas dos parlamentares. "O erro é o governo não pagar (as emendas). Nós devíamos transformar isso num instrumento imperativo", justificou o parlamentar. Ele salientou que não haverá necessidade de convocação extraordinária do Congresso, embora ainda falte votar as medidas provisórias, a lei de falências, a lei das agências reguladoras, entre outras: "Eu sou contra a convocação extraordinária: dá para a gente acelerar e votar tudo sem precisar convocação extraordinária."

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