Política econômica ainda não convence, diz pesquisa

A recuperação da economia, registrada nos últimos meses, ainda não foi suficiente para que a população apoiasse de maneira inequívoca a política econômica adotada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, divulgada hoje, 41,7% dos dois mil entrevistados consideram que a política econômica do governo está sendo conduzida de forma inadequada. Mas o contingente de pessoas que apostam que o rumo adotado é o certo é de 38,7% dos ouvidos pelo Instituto Sensus entre os dias 3 e 5 de agosto. Essa divisão também é sentida em outros pontos avaliados na pesquisa. Na área política, por exemplo, 35,1% acreditam que o trabalho do governo tem sido, até agora, adequado, enquanto que para 41,4% o rumo adotado está errado. A condução das ações do governo par a solução de problemas no País também apresenta variação parecida: 35,8% acreditam que essas medidas estão sendo tomadas de maneira eficaz ante 43,8% que apostam no oposto. Apenas na área social há uma mudança na avaliação. Neste caso, 40,5% dos entrevistados disseram que o desenvolvimento da área social tem sido feito de forma adequada, enquanto que 39,7% indicaram o contrário. Para o presidente da CNT e vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade, essa percepção na área social é um dos elementos que justificam a recuperação na avaliação positiva do governo Lula. "Houve uma melhora na ação gerencial dos programas", disse. Um terço da população não percebe sinais de recuperação Os sinais de recuperação do nível de atividade da economia brasileira ainda não foram percebidos por 35,1% da população, segundo a pesquisa. Apesar desse expressivo contingente, 49,9% dos dois mil entrevistados, entre os dias 3 e 5 deste mês, concordaram que a economia do País realmente está dando sinais de retomada. Para 19,2% dos entrevistados, o governo é o principal catalisador deste processo de recuperação, enquanto que para 9,5% o movimento é puxado pelo mercado, ou seja, pelas empresas. Há ainda uma parcela de 21,2% dos ouvidos pelo Instituto Sensus que apostaram que o trabalho conjunto do governo e do mercado é a principal justificativa para a recuperação vivida nos últimos dois meses. Junto com a retomada da atividade, com aumento na geração de postos de trabalho, a população também aumentou suas esperanças em relação aos efeitos diretos deste processo em sua vida. Cautela Para 45,8% dos entrevistados, o melhor desempenho econômico trará melhoras na qualidade de vida. Outros 40,3% indicam o contrário. Para Clésio Andrade, os números indicam uma cautela da população. "Uma análise atenta dos números apresentados nesta rodada mostra que, embora a sociedade perceba sinais de melhoria em suas vidas, ainda não está convencida de que esta situação vai se sustentar por muito tempo, isto é, está cautelosa", avaliou.

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