Política de incentivos fiscais divide opiniões

Para alguns economistas, País estaria em uma situação pior sem ela;outros veem medidas como motivo da crise

João Villaverde/BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 21h00

Os 34 pacotes anunciados pelo governo Dilma Rousseff para estimular a economia dividem os economistas. De um lado, há aqueles que entendem que, sem eles, o quadro que o País e a indústria de transformação, em especial, teriam vivido nos últimos quatro anos teria sido ainda mais dramático. De outro, há os analistas que veem nos próprios pacotes uma razão da recessão registrada no Brasil: o hiperativismo deixou o setor privado estático, sem expectativa de melhora e com os investimentos travados.

De acordo com Felipe Salto, economista que é mestre pela FGV-SP e especialista em contas públicas da Tendências Consultoria, a política econômica deverá mudar “totalmente” para que a economia brasileira volte a crescer.

“O governo é campeão em número de pacotes, mas no ranking de medidas adequadas está em último lugar”, disse ele, mencionando o crescimento médio de 4,5% verificado pelo grupo México, Peru, Colômbia e Chile entre 2011 e 2014. No mesmo período, o Brasil deve registrar média de crescimento de apenas 1,6%. “Serão cerca de R$ 100 bilhões em desonerações neste ano, sem consequências no crescimento. Não houve nenhuma reforma tributária, nenhuma mudança estrutural”, afirmou Salto.

Segundo o professor da Unicamp, Célio Hiratuka, a análise das medidas do governo deve levar em consideração o contexto internacional.

“Estamos em meio a uma crise mundial desde 2008, que atingiu especialmente a indústria. Os países ricos e também a China têm estimulado seus fabricantes de manufaturas, que têm ocupado o mercado brasileiro, ao mesmo tempo que perdemos exportações”, disse ele.

Para Hiratuka, o governo que começar em 2015, qualquer que seja ele, precisa aprimorar a estratégia atual, mas buscar uma coordenação maior das medidas. “Pela gravidade da crise mundial, enfrentar esse cenário de concorrência acirrada vai exigir mais coordenação entre os vários segmentos de política econômica e industrial”, disse.

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