Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Policial que não mata não é policial', diz Bolsonaro

Defensor da liberação do porte de arma, deputado volta a apoiar a ditadura militar durante evento em São Paulo

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 15h28

Defesor da liberação do porte de arma para toda a população, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que "policial que não mata não é policial" ao ser questionado sobre a questão da segurança pública no Rio de Janeiro, durante evento realizado pela Revista Veja, em São Paulo. Para ele, policiais envolvidos em autos de resistência nem sequer deveriam ser investigados.

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O deputado também voltou a defender a ditadura militar (1964-1985), considerou o general Emílio Garrastazu Médici o melhor presidente do período e afirmou que não é possível “falar em golpe, não” já que o presidente João Goulart (1961-1964) teria sido cassado pelo Congresso.

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ECONOMIA

O deputado disse que, se eleito, convidará o economista Paulo Guedes, sócio da BR Investimentos e fundador do Banco Pactual, para comandar a economia. “Eu fui atrás dele. Fizemos um levantamento de com quem a gente poderia conversar e aceitasse conversar comigo porque tem gente que não aceita. Pedi para ele um milagre, estamos namorando. Estamos apenas mão na mão”, afirmou.

O deputado disse ter encomendado um “milagre” ao economista que consiste em manter o tripé econômico, aumentar a arrecadação sem subir impostos, implementar uma reforma da Previdência que não penalize os militares e desburocratizar a economia.

“Ele disse que é possível”, afirmou Bolsonaro. “Eu comprei os ingredientes e quem vai fazer o bolo seria Paulo Guedes”, completou. O presidenciável recentemente foi alvo de controvérsia ao admitir em uma entrevista que não entende de economia.

Segundo Bolsonaro, foram feitas duas reuniões que somam oito horas com o economista. A próxima deve ser na próxima segunda-feira.

O próprio Bolsonaro também citou o senador Magno Malta (PR-ES) como alvo de especulações para ser seu candidato a vice, mas afirmou que por enquanto são apenas boatos.

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Bolsonaro tentou arrefecer o discurso agressivo e falou várias vezes em “caneladas” que teria dado no passado e que hoje daria respostas diferentes para temas do passado. Durante entrevista ao jornalista Augusto Nunes, o deputado chegou a dizer que não é “contra o casamento gay, mas contra o material escolar (anti-homofobia feito no governo Luiz Inácio Lula da Silva)”.

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APLAUSOS

O parlamentar foi aplaudido várias vezes pela plateia do encontro. Uma delas quando disse que “ninguém aqui vai chorar” se uma bomba caísse no Congresso Nacional.

Um dos que aplaudiram Bolsonaro foi o empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas. “Quem mais me chamou atenção foi o Bolsonaro. Ou melhor, o segundo foi o Bolsonaro e o primeiro foi o Sérgio Moro (juiz responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância)”, disse Maroni, que pagou R$ 1 mil pelo ingresso. 

 

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