Policial que matou Jean Charles nunca tinha atirado em suspeito

Em seu 1º depoimento, agente disse que situação era de perigo 'imensurável'.

Da BBC Brasil, BBC

24 de outubro de 2008 | 11h30

Um dos policiais que mataram Jean Charles de Menezes nunca tinha atirado contra um suspeito antes, disse ele nesta sexta-feira em depoimento ao inquérito sobre a morte do eletricista pela polícia na estação de metro de Stockwell, em Londres, em 22 de Julho de 2005. O policial, identificado apenas como C12, afirmou em seu depoimento que as instruções antes da ação que levou à morte de Jean Charles foram "muito breves", e que ele acreditava estar diante de um risco imensurável.Esta é a primeira vez que o agente depõe publicamente sobre o caso, desde que Jean Charles foi morto pela polícia, depois de ter sido confundido com o extremista Hussein Osman. Na véspera, Osman havia tentado cometer um atentado contra a rede de transportes públicos de Londres. A mãe, Maria Otone de Menezes, e o irmão de Jean Charles, Giovani da Silva, estavam presentes no depoimento, em Londres.Única opçãoO legista que preside o inquérito, Sir Michael Wright, disse ao júri que C12 e o outro policial que atirou contra Jean Charles, identificado como C2, acreditavam que a "morte instantânea" era a única opção. Os dois agentes estariam "convencidos" de que Jean Charles era o suspeito, mas os policiais envolvidos na vigilância de Osman disseram ao inquérito que o eletricista foi identificado como uma "boa possibilidade".C12 contou que não foi comunicado da "urgência" de seu deslocamento e que havia trabalhado um turno de 14 horas na véspera. Ele disse ter recebido poucos detalhes sobre o suspeito ou sobre a operação, durante dois comunicados pela manhã."Eu não consigo lembrar de detalhes específicos, mas a conversa geral envolvia uma operação contra-terrorismo em seguida aos... atentados frustrados da véspera", disse ele."Foi um comunicado muito breve - um esboço do que nós estávamos fazendo e onde tínhamos que ir imediatamente."O especialista em armas de fogo ainda respondeu sobre seu estado mental na hora da ação, com voz trêmula: "O perigo que estávamos enfrentando, ou potencialmente enfrentando, era imensurável"."Eles eram extremistas suicidas fracassados. Quem sabe o que se passaria na cabeça deles? Eles haviam preparado bombas para alcançar mortes massivas"."Eles estavam determinados, como fomos levados a acreditar, preparados, altamente perigosos, e talvez nós tivéssemos que enfrentá-los."Incapacitação imediataO policial contou ter requisitado uma pistola Glock, um rifle e granadas para "estar equipado para qualquer eventualidade".Ele ainda escolheu munição de 124 gramas, porque teriam lhe dito que era a melhor para "incapacitação imediata".O agente foi admitido na unidade especial de armas de fogo da polícia em 1996.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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