Policial que matou assentado é processado

A promotora de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, Cláudia Regina de Paula e Silva do Rêgo Monteiro Rocha, apresentou denúncia por homicídio doloso contra o soldado da Polícia Militar Joel de Lima Santa Ana, acusado de ter matado o trabalhador rural Antônio Tavares Pereira, em 2 de maio de 2000, na BR-277, próximo a Curitiba. A denúncia foi aceita pelo juiz André Luiz Taques de Macedo.Santa Ana já tinha sido julgado pela Justiça Militar, que arquivou o processo, declarando estar o soldado "isento de qualquer responsabilidade criminal", visto que estaria "em face do devido cumprimento de ordem superior".Há dois anos, integrantes do MST, do qual Pereira fazia parte apesar de já estar assentado, estavam se dirigindo a Curitiba para uma manifestação, quando os ônibus foram parados no posto da Polícia Rodoviária na entrada da capital. Depois de revistados, os ônibus foram orientados a retornar ao interior. Quando retornavam, encontraram outros ônibus e todos pararam na rodovia.Os sem-terra desceram dos veículos e houve confronto com os policiais que faziam a escolta dos ônibus. Santa Ana teria atirado duas vezes contra o asfalto. Uma das balas ricocheteou e acertou o abdome de Pereira, que morreu horas depois no hospital."Resta acrescentar que o denunciado Joel de Lima Santa Ana, ao disparar com a carabina que portava, arma de grosso calibre, em direção a uma superfície maciça, manta asfáltica, no meio de diversas pessoas que lá se encontravam, entre elas a vítima Antônio Tavares Pereira, assumiu, sem dúvida nenhuma, o risco de ceifar a vida de alguém, o que efetivamente ocorreu", disse a promotora.O soldado não estava hoje no 12º Batalhão, em Curitiba. Segundo a atendente, ele obteve licença especial e ficará seis meses afastado dos serviços.

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