Políciais militares mataram mais que civis

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo divulgou hoje o quadro dos mortos pelos policiais civis e militares de 1990 a 1998. Os militares mataram 5.761 pessoas e os civis, 247. O número de mortos pela PM foi maior em 1991, com 1.056 homicídios. O ano em que policiais civis mais mataram foi 1998 - 59 homicídios. O relatório da Ouvidoria da Polícia apresenta também os números dos policiais mortos no Estado entre 1990 e 1998. Foram assassinados 1.094 militares: 249 em serviço e 845 em folga. No mesmo período, foram mortos 69 policiais civis, sendo 49 em serviço e 20 em folga.O coronel Renato Perrenaud, do setor de Comunicações da Polícia Militar, declarou não haver "nenhuma surpresa" no fato de as 267 queixas contra os coronéis, em quatro anos, terem ocasionado apenas uma punição. Ele disse que a PM tem um efetivo de 84 mil homens e os coronéis são 51. "Posso garantir que se apenas um foi punido é porque nada se apurou contra os demais. Um coronel com 30 anos de serviço sabe muito bem de suas responsabilidades e é difícil um oficial nesse ponto se envolver em crimes." Para Perrenaud, não há corporativismo na apuração das queixas. "O que existe é muita denúncia falsa. Posso garantir que, quando é comprovada a culpa, o denunciado é punido."O delegado-corregedor da Polícia Civil Ruy Estanislau Silveira Melo também disse que o corporativismo não existe na instituição. Segundo ele, nos últimos seis anos, a Corregedoria instaurou 8.496 sindicâncias administrativas que viraram 2.872 inquéritos policiais e 1.377 processos contra policiais. "Nosso objetivo é tirar os maus policiais da corporação e dar uma resposta rápida às pessoas buscaram ajuda e acabaram sendo maltratadas." Em conseqüência dos inquéritos e processos, 781 policiais foram demitidos - entre eles, 28 delegados, 296 investigadores, 102 escrivães, 196 carcereiros e 103 agentes policiais. Foram suspensos 2.183 policiais e 858, advertidos. Quanto às queixas mandadas pela Ouvidoria, Melo explicou que todas são apuradas em sindicância. Depois da investigação, se constatado um fato grave, o documento é encaminhado ao Conselho da Polícia Civil. "A sindicância pode virar processo administrativo que conclui pela demissão, suspensão ou arquivamento."Neste ano, de janeiro a 1.º de outubro, seis delegados foram demitidos. No mesmo período, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou 538 inquéritos, 1.368 sindicâncias, 149 processos administrativos e autuou 17 policiais em flagrante.

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