Carlos Eduardo Cherem
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Policiais militares debatem 'metodologia' para greve em MG

Líderes querem manter 30% da categoria trabalhando, mas movimento é vetado por lei a militares; atendimento a ocorrências nas ruas da capital mineira parece seguir normalmente

Carlos Eduardo Cherem, especial para o Estado, Levy Teles, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 15h31
Atualizado 23 de fevereiro de 2022 | 10h51

BELO HORIZONTE — Belo Horizonte manteve sua rotina no primeiro dia de greve de agentes da segurança pública de Minas Gerais, nesta terça-feira, 22. À tarde, líderes do movimento e de sindicatos das diversas categorias da área de segurança vão se reunir para debater os rumos da paralisação dos profissionais da segurança pública no Estado, que lutam por recomposição salarial.

No encontro, o comando de greve vai “debater estratégias, criar uma metodologia e um protocolo único que cada profissional da segurança deverá adotar durante a paralisação”. As recomendações aos policiais militares e bombeiros militares deverão sair nesta quarta, 23.

Na votação que aprovou a paralisação, nesta segunda-feira, a categoria apoiou a manutenção de 30% dos serviços à população, inclusive bombeiros e defesa civil, além de policiais militares e civis, e agentes penitenciários. Pelo menos para os militares, porém, é proibido fazer greve, mesmo mantendo um porcentual de profissionais em atividade. Movimentos desse tipo, com recusa a cumprir ordens superiores, para PMs e bombeiros, configuram em tese o crime de motim, tipificado no Código Penal Militar.

Em comunicado, as diretorias do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de Minais Gerais (Sindpecri) e da Associação de Criminalística do Estado de Minais Gerais (Acemg) orientam que os peritos oficiais de natureza criminal atendam apenas os casos de homícios, suicídios, e acidentes de trânsito e trabalho com vítima fatal.

A Associação dos Delegados da Polícia Civil de Minas Gerais (Adepol-MG) publicou um documento com oito recomendações aos delegados. O documento "recomenda, a todos os delegados associados que cumpram suas funções seguindo a 'estrita legalidade'". Entre alguns dos pontos, estão a não utilização de qualquer recurso particular para custeio das unidades e viaturas, somente se deslocar com pagamento antecipado de diária e oficiar à chefia caso a unidade do delegado não possua efeito de pessoal previsto na resolução 7.197/09 da Polícia Civil do Estado.

Na manhã desta terça-feira, o atendimento na sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), na zona Sul da capital mineira, não parou. Os guichês operavam normalmente, e o atendimento no balcão não fluiu sem interrupções.

O Instituto Médico Legal (IML), na Gameleira, funcionou em escala reduzida, com 30% dos profissionais. A área administrativa operou normalmente. A realização de perícia médica e a  liberação de corpos também não foi comprometida.

A reportagem do Estadão circulou pelas principais vias do centro de Belo Horizonte, e bairros da zona sul da cidade. Verificou a presença de soldados da corporação e atendimento normal, com o registro de ocorrência, em bases móveis da Polícia Militar (PM).

Romeu Zema está 'empenhado na solução das demandas relacionadas à segurança pública, diz assessoria do governador 

A assessoria do governador Romeu Zema (Novo) informou no inicío da noite desta terça-feira, 22, que ele cancelou viagens que faria hoje aos municípios de Cataguases (MG) e Leopoldina (MG), em breve comunicado: “neste momento, o governador estará empenhado na solução das demandas relacionadas à segurança pública”, informou a assessoria do político do Novo.

Após reunião com Zema para discutir a greve dos profissionais de segurança, o secretário de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, gravou gravou vídeo em que fala em “agendas prioritárias” do governo Zema para viabilizar o reajuste, mas sem detalhar a iniciativa.

Líderes de policiais militares, policiais civis, bombeiros, agentes do setor penal e trabalhadores do setor socioeducativo afirmam que os profissionais só voltarão ao ritmo normal de trabalho quando o Executivo enviar à Assembleia Legislativa projeto para viabilizar a recomposição salarial desses profissionais.

No vídeo, ao lado do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Edgard Estevo da Silva, do comandante-geral da PM, coronel Rodrigo Sousa Rodrigues, e do chefe da Polícia Civil, Joaquim Francisco Neto e Silva, Greco afirma que, na reunião com Zema “foram definidas agendas prioritárias, para resolução da questão da recomposição salarial, para os próximos dias”.

Na nota, o mandatário Novo afirmou que dependeria da equalização da dívida de Minas Gerais com a União para ter condições de atender ao pleito de recomposição salarial de 41% feito pelos profissionais de segurança.

 

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