Policiais mantêm greve na Bahia

A capital baiana passou todo o dia com sua segurança a cargo de um efetivo mínimo de integrantes da Tropa de Choque da Polícia Militar, por causa da greve da polícia. Uma comissão grevista tentava, ainda nesta tarde, negociar com o governador César Borges (PFL) a suspensão da greve, se o governo revisse as 70 exonerações de policiais que participam do movimento e revogasse a prisão do tenente Everton Uzeda e do sargento Manoel Isidoro de Santana, detidos sob a acusação de liderar a paralisação. Enquanto não se chegava a um acordo, o centro histórico e as áreas bancárias foram priorizadas pela Secretaria de Segurança Pública para serem vigiadas pela Tropa de Choque, mas o subúrbio ferroviário e a periferia, onde ocorrem a maioria dos assaltos de Salvador, ficaram totalmente despoliciados.Desde a noite de ontem os 14 módulos da PM da Avenida Suburbana estão vazios, assustando os moradores da região. No entanto, a princípio não houve registro de aumento dos assaltos. Nos principais quartéis de Salvador, os policiais militares permaneceram de braços cruzados, em assembléia permanente. Eles chegaram a entoar coros típicos dos movimentos de esquerda para animar a tropa: "polícia unida, jamais será vencida", cantaram. As delegacias também reduziram ao mínimo o atendimento ao público, limitando-se a registrar apenas os casos mais graves. Esposas dos policiais baianos, como ocorreu nas greves em outros Estados, também fizeram questão de apoiar o movimento. "Tenho muito medo, mas se é para melhorar a situação vamos até o fim", disse Mércia Queiroz, mulher de um soldado cujo nome não quis revelar, temendo punição. As punições sumárias foram as principais armas usada pelo comando da polícia para tentar conter a greve. Integrantes do Corpo de Bombeiros que aderiram à paralisação denunciaram as várias formas de pressão para sufocar o movimento. "Punições, evitando o pessoal ir para a rua, prisões, transferências para serviços que não são da nossa alçada, tudo vem sendo usado pelos oficiais", disse um dos bombeiros em greve.

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