Policiais grevistas são presos e PM garante que Rio está seguro

Líderes e outros envolvidos no movimento grevista de policiais e bombeiros no Rio de Janeiro foram presos nesta sexta-feira acusados de insubordinação e outros crimes, e as autoridades de segurança do Estado garantiram que, diante da adesão limitada à paralisação, não será necessário o reforço de tropas federais.

PEDRO FONSECA E RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

10 de fevereiro de 2012 | 17h41

A greve por aumento de salário, declarada após assembleia com cerca de três mil representantes dos policiais, bombeiros e agentes penitenciários pouco antes da meia-noite de quinta-feira, diminuiu o policiamento em algumas vias da cidade nesta sexta, a uma semana do início do Carnaval.

De acordo com o comando da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, no entanto, a adesão à paralisação foi restrita e as corporações estão trabalhando normalmente.

Nove acusados de serem líderes da greve, que estavam entre os 11 homens que tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça militar nesta sexta, foram presos e levados para o Complexo Penitenciário de Bangu, enquanto outros sete policiais foram detidos em flagrante por insubordinação, de acordo com a PM.

Outros 129 policiais foram detidos inicialmente e indiciados por participação na greve, mas foram liberados e substituídos em seus postos por efetivos do Bope e do Batalhão de Choque. Uma fonte da PM, que pediu para não ser identificada, disse que houve problemas pontuais nos batalhões de Botafogo e Leblon (na zona sul), Maré (zona norte) e nas cidades de Campos (norte fluminense) e Volta Redonda (sul do Estado).

O cabo dos Bombeiros Benevenuto Daciolo, um dos líderes do movimento, está preso desde quarta-feira, após ter sido flagrado em uma escuta telefônica autorizada pela Justiça negociando com líderes da greve de policiais na Bahia a difusão do movimento para outros Estados.

Segundo o coronel da Polícia Militar Frederico Caldas, porta-voz da corporação, um plano de contingência acertado previamente entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o governo federal e as Forças Armadas, que prevê a disponibilização de 14 mil homens do Exército e 300 da Força Nacional de Segurança a partir desta sexta para o Rio, não precisará ser acionado.

"Existe um plano de contingência que foi uma solicitação do governador. Havia uma previsão de emprego em caso de greve, mas não será necessário diante da atual situação de normalidade nos nossos batalhões", disse ele à Reuters.

"Houve um certo movimento (grevista) em algumas unidades, mais no interior do Estado, mas nossa resposta foi dura", acrescentou o coronel. "Quem cruzar os braços, quem se recusar a ir para a rua, vai ser responsabilizado por desobediência."

O Corpo de Bombeiros também disse, em comunicado, que "todas as unidades da corporação em todo o Estado estão funcionando normalmente", e que as saídas para casos de emergências estão regulares.

SOLUÇÃO ANTES DO CARNAVAL

A greve declarada no Rio se soma a uma paralisação da polícia da Bahia iniciada em 31 de janeiro, com altos índices de criminalidade registrados naquele Estado nesse período, incluindo ao menos 150 homicídios.

Assim como acontece na Bahia, o movimento grevista deve gerar temores para o setor turístico às vésperas do Carnaval, que o governo fluminense espera atrair até 800 mil turistas para o Estado.

Os grevistas, no entanto, disseram que esperam chegar a um acordo com o governo antes do início das festas.

"De forma alguma queremos acabar com o Carnaval. Ainda faltam oito dias e temos a convicção que até lá resolveremos a questão com diálogo", disse nesta manhã em entrevista coletiva o sargento bombeiro Wallace Rodrigues, ao lado de outros representantes do movimento na sede da Coligação dos Policiais Civis.

Antes do anúncio da greve na quinta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou em regime de urgência um projeto de lei que prevê a antecipação de aumentos que seriam dados até 2014 à categoria, mas a medida, que levaria o piso salarial para 1.816 reais até 2014, foi considerada insuficiente pelos grevistas, que querem um piso de 3.500 reais.

As policias civil e militar, os agentes penitenciários e os bombeiros reúnem um efetivo de mais de 70 mil homens no Estado do Rio. Os líderes da greve não informaram o tamanho da adesão ao movimento.

A paralisação ameaçava colocar em risco o funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), os batalhões da PM instalados em favelas que são a principal arma do Rio para combater o crime organizado antes da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A PM garantiu, no entanto, que não houve adesão à greve nas UPPs.

(Reportagem adicional da Reuters TV; Edição de Tatiana Ramil)

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