Policiais federais anunciam recomeço da operação-padrão

O presidente da Federação Nacional dos Policias Federais (Fenapef), Francisco Garisto, garantiu hoje que a operação-padrão da Polícia Federal só deve recomeçar a partir da semana que vem nos portos, aeroportos e fronteiras do país. "Por enquanto, só recomeçamos no Rio Grande do Sul", afirmou ele, assegurando que, na próxima sexta-feira o comando nacional de greve vai decidir qual a estratégia a ser adotada nos demais estados. O presidente da Fenapef disse à Agência Brasil que a promessa de corte de ponto por parte do governo não está intimidando o movimento grevista, que hoje completa 43 dias de paralisação. Ele lembrou que mesmo o governo recorrendo à Justiça, a entidade está ganhando sempre. "Nós acabamos de ganhar na 2ª Instância no Paraná, na Bahia e em São Paulo", afirmou, citando ainda as vitórias conquistadas nos outros quatorze Estados onde a Justiça proibiu o corte nos salários. Em nota à imprensa, o Ministério da Justiça reafirmou que a proposta de reajuste de 17% para os agentes, escrivães epapiloscopistas da Polícia Federal, apresentada pelos ministérios da Justiça e Planejamento, foi rejeitada pela Fenapef, acarretando o f im das negociações, além do corte do ponto para os profissionais faltosos, garantido por meio de autorização da Justiça Federal. O corte de ponto, de acordo com a nota, será retroativo ao dia 9 de março, data que a greve foi iniciada, e computado na folha de pagamento que sai no dia 2 de maio. Segundo o MJ, a Advocacia Geral da União (AGU) está recorrendo das liminares que os sindicatos locais da categoria conseguiram, proibindo o corte de ponto dos grevistas. Ainda de acordo com a nota, o governo tem se mantido aberto ao diálogo e atendeu a maior parte das reivindicaçõesapresentadas pela comando de greve. "Questões legais e o elevado impacto orçamentário (R$ 600 milhões por ano)impossibilitam o atendimento ao pedido de equiparação aos salários de delegados e peritos ? o equivalente a reajuste de 85% sobre remuneração inicial de R$ 4.199,97". O comando de greve ressalta, no entanto, que a reivindicação é para que os salários dos agentes, escrivães e papiloscopistas passem de nível médio para nível superior, conforme assegura a Lei 9.266, de 1996. Antes do encerramento das negociações, o ministro Márcio Thomaz Bastos fez um apelo aos grevistas para que aceitassem a proposta e retornassem ao trabalho. Segundo o ministro, o objetivo é fazer de novo da Polícia Federal um instrumento importante na luta contra o crime organizado. "Queremos fazer dessa greve um ponto de partida, assim que ela se encerre, para uma nova relação de trabalho, que não haja luta de classes dentro da Polícia Federal, para que ela possa ter ganhos de eficiência", afirmou Thomaz Bastos.

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