Policiais cercam fazenda, mas não preocupam sem-terra

Aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) sobrevoavam hoje à noite a sede da fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo chão, chegaram seis veículos do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal e entraram pelo portão principal. Apesar da movimentação, do lado de dentro do imóvel os sem-terra demonstravam tranqüilidade.O administrador da fazenda, Vander Gontijo, foi até o portão para dizer que não são 600, mas 200 as pessoas que ocuparam a fazenda. Segundo ele, estavam estragando máquinas e caminhões, porque são leigos e não sabem dirigi-los. Os sem terra montaram barreiras com os tratores e caminhões. Como a Polícia Federal não permite que ninguém entre na fazenda, uma multidão está se concentrando em frente ao portão principal. No início da noite chegou Romário Rossetto, da direção nacional do Movimento de Pequenos Agricultores (PA). Ele disse que foi acompanhar o que estava acontecendo. Afirmou que apóia os sem terra e a invasão. Segundo ele, o governo não cumpriu acordos feitos anteriormente com o MST.Rossetto disse ainda que conversou com João Paulo Rodrigues, coordenador do MST para a região de Buritis, que estava no Rio de Janero, e que este contou que só ficou sabendo da invasão por volta de 9h. Rodrigues lhe disse que enviaria para o local alguns advogados do MST.Para Rossetto, o governo deve tentar uma saída negociada para o impasse. "Achamos que o governo deve procurar uma solução sem uso da violência e da força, uma solução negociada com o uso do bom senso". Foi-lhe perguntado se uma ação como aquela não prejudicaria o PT. Rossetto respondeu: "Somos um movimento independente dos movimentos político-partidários".

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