Policiais ameaçam pacote com greve nacional

Policiais civis e militares de todo o País decidiram hoje em Porto Alegre ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a medida provisória que restringe o direito de greve e associação da categoria. Decidiram também acampar em frente ao Congresso Nacional para pressionar o governo federal. Uma carta de Porto Alegre, com a posição da maioria das 21 entidades que participaram do encontro no Clube Farrapos, foi aprovado no final da tarde e será enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso. "Se o governo não der uma resposta e mantiver as medidas repressivas, vamos entrar em greve nacional", ameaçou o presidente da federação das entidades policiais do Rio Grande do Sul, Aldair Prates.Apesar da polêmica sobre a conveniência de exigir um piso nacional para a categoria, reivindicação dos policiais do Nordeste, os participantes do encontro foram unânimes em rechaçar o pacote de segurança pública anunciado pelo ministro José Gregori. "Esse pacote é retrógrado, antidemocrático e fere os direitos dos trabalhadores", disparou o presidente da Confederação Brasileira dos Policiais Civis, Jânio Gandra, do Distrito Federal. "Medidas como essas não existiam nem na época da ditadura. São medidas intempestivas que atropelam o trabalho feito pelos parlamentares", afirmou o coronel da PM e deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), relator de um projeto de emenda constitucional sobre a reorganização da segurança pública que tramita em uma comissão especial da Câmara.De acordo com o parlamentar, algumas propostas do pacote, como a integração das polícias, já vinham sendo discutidas na comissão, mas nenhum deputado foi consultado pelo governo. "Os deputados não vão aceitar essa desmoralização", disse Fraga.Os policiais concordam com a idéia, mas não com a forma como o governo quer fazer a integração das polícias. Eles querem, por exemplo, discutir um plano de carreira único antes de formalizar a unificação. "Não adianta juntar uma carcaça de um carro velho com um motor pifado", disse Gandra, defendendo uma ampla reforma da segurança pública.Também presente ao encontro, o vice-líder do PMDB, deputado Mendes Ribeiro (RS), afirmou que a medida contra as greves é "pífia" e "exagerada por demais". "Nós já temos gente preferindo a ditadura à democracia", lembrou o peemedebista, referindo-se à pesquisa que revela que 30% dos brasileiros não acreditam na democracia.

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