Policiais alagoanos entram em conflito

Há uma clara divisão entre os policiais que entraram hoje no segundo dia de greve em Alagoas. Dois grupos apresentaram propostas diferentes de reajuste salarial ao governo estadual e estão discutindo separadamente as suas reivindicações. Ao contrário da paralisação dos PMs na Bahia, cabos, soldados e policiais civis, de um lado, não se entendem com os oficiais para a unificação do movimento. Na prática, parecem adversários."O Sindpol e a Associação de Cabos e Soldados disseram que não sentariam com mais ninguém a não ser com o governador", afirmou o tenente-coronel Jean Paiva, presidente da Associação de Oficiais. Segundo ele, a postura do Sindpol, sindicato dos policiais civis, é de radicalizar o movimento, enquanto os oficiais querem negociar para garantir algum reajuste.A proposta feita pelos oficiais é de reajuste imediato de 10% e outros 30% diluídos de janeiro a outubro de 2002. Os policiais das patentes menores consideraram esse aumento insuficiente. "Cada um tem seu movimento e a sua forma de se manifestar", afirmou Wagner Simas, presidente da Associação de Cabos e Soldados, que está reivindicando um piso salarial de R$ 1.200 (aumento de 100%)."Não existe um movimento separado. A proposta do tenente-coronel Jean Paiva foi uma iniciativa isolada e não contribui", criticou o escrivão José Carlos Fernandes Neto, presidente do Sindpol. Ontem, ele passou o dia visitando os batalhões da PM alagoana e as delegacias para convocar o efetivo para a assembléia amanhã em Maceió. Os oficiais não devem participar desse encontro.Há cerca de 7.800 policiais militares na ativa em Alagoas - de oficiais, são 800 homens. Na Civil, há 1.040 policiais em todo o Estado. O governo propôs um reajuste diferenciado: 20% para cabos e soldados, 10% para sargentos e subtenentes, 5% para oficiais e 11% para os civis. O governador Ronaldo Lessa (PSB) afirmou que o aumento poderia ser maior se não fossem os mais de 7 mil inativos, cuja folha é maior do que a da ativa.A união entre cabos e soldados com o Sindpol desagradou os oficiais, que, por isso, não aderiram em massa ao movimento. "A briga, no bom sentido, tem de ser feita pelos representantes de cada categoria", afirmou o tenente-coronel Carlos Alberto Mendonça, do 4.º Batalhão de Polícia Militar, no bairro do Farol. Cerca de 100 homens estão aquartelados no batalhão, onde realizavam treinamentos. Todos fardados. "Enquanto estão negociando, aproveitamos o tempo de aquartelamento para não deixar a tropa ociosa."Na falta de unidade entre os policiais, o Sinpol está tentando obter o apoio de outros sindicatos, como o de rodoviários e professores. Filiado à Central Única dos Trabalhadores há 3 anos, o Sinpol quer ainda os sem-terra ao seu lado. "Acho que estamos no mesmo barco, temos o mesmo sonho, que é a dignidade humana. Se eles reivindicam terras, pedimos salários", afirmou Fernandes Neto.Apesar da falta de policiamento nas ruas, o clima é tranquilo. As lojas estão abertas, os turistas vão às praias e os moradores trabalham normalmente. Outras categorias sindicais estão de sobreaviso. "Não queremos que aconteça o mesmo que em Salvador. Se mudar o clima na cidade, os vigilantes já foram orientados a fecharem as portas dos bancos e abandonarem as agências", afirmou o diretor do sindicato da categoria, Aldo Sobreira.

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