DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Policiais admitem escuta ilegal em cela de doleiro

Agente e delegado da PF dizem à CPI da Petrobrás que equipamento utilizado para monitorar Youssef era clandestino

Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2015 | 23h32

Brasília - O agente da Polícia Federal Dalmey Fernando Werlang afirmou nesta quinta-feira, 2, na CPI da Petrobrás da Câmara dos Deputados que implantou escutas na cela do doleiro Alberto Youssef e no fumódromo da Superintendência da PF em Curitiba à pedido de três superiores. Mais cedo, os parlamentares ouviram em sessão reservada o ex-diretor de Inteligência da PF José Alberto de Freitas Iegas, que confirmou que foi encontrada uma escuta na cela de Youssef.

Segundo Werlang, a escuta na cela do doleiro teria sido implantada por ordem do superintendente da PF no Paraná, Rosalvo Franco, e dos delegados Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo. A escuta no fumódromo teria sido pedida para uma delegada que é mulher de outro delegado e tinha o objetivo de monitorar os próprios agentes da PF.

Werlang também afirmou que colocou a escuta no segundo andar da Superintendência da PF no dia da prisão de Youssef, em março do ano passado. De acordo com o agente, os equipamentos fizeram gravações, que foram repassadas para Anselmo e para uma delegada.

Iegas pediu para ser ouvido em sessão fechada para não ficar caracterizado quebra de sigilo judicial. O ex-diretor confirmou que no local onde foi encontrada a escuta ambiental em 2014 existia um grampo autorizado pela Justiça para o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A escuta descoberta no ano passado por Youssef não era o mesmo aparelho instalado para Beira-Mar. 

A revelação do agente da PF surpreendeu os deputados. "Se uma escuta foi colocada sem prévia autorização judicial, é um caso muito grave", avaliou o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB). Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Operação Lava Jato, foi enganado. "Mentiram para o juiz."

A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) defendeu que a revelação do agente não tire o foco da CPI, que é o esquema de corrupção na Petrobrás. "Não dá para achar que há uma desconstrução da Lava Jato", afirmou. 

A PF diz que investiga o caso.

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