Polícia vê risco de conflito se marcha do MST prosseguir

Dividida em três grupos de 500 pessoas, marcha pede desapropriação da Fazenda Coqueiros

Elder Ogliari,

19 de setembro de 2007 | 21h35

O subcomandante-geral da Brigada Militar (a Polícia Militar do Rio Grande do Sul), coronel Paulo Roberto Mendes, encaminhou relatório ao Ministério Público nesta quarta-feira demonstrando preocupação com a possibilidade de conflitos se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não desativar as três colunas de manifestantes que marcham de diferentes pontos do Estado em direção a Coqueiros do Sul para pedir a desapropriação da Fazenda Coqueiros. Para Mendes, as marchas do MST e a reação dos fazendeiros, que já começaram a fustigar o grupo de sem-terra que está em Bagé, se encaminham para uma situação explosiva. O policial militar alega, ainda, que não pode manter batalhões vigiando os dois movimentos quando precisa das tropas para combater a criminalidade comum nos centros urbanos. E não esconde que gostaria de ver o Ministério Público trabalhando para impedir as caminhadas do MST. Divididos em três grupos com cerca de 500 pessoas cada, os sem-terra partiram de diferentes regiões do Rio Grande do Sul no dia 11 de setembro anunciando que as colunas vão entrar nas cidades, promover debates sobre a reforma agrária com a população, protestar contra as plantações de eucaliptos para a indústria da celulose e pedir que o governo federal desaproprie os nove mil hectares da Fazenda Coqueiros para assentar 500 famílias. Não marcaram data, mas pretendem chegar ao destino comum para fazer uma grande manifestação na primeira quinzena de outubro. O grupo que se deslocou de Capão do Leão já passou por Pelotas e desde segunda-feira está num ginásio público em Bagé, onde é mantido sob vigilância por fazendeiros que montaram acampamento ao lado. Os sem-terra se queixam de intimidações e acusam os ruralistas de terem quebrado os vidros do ginásio a pedradas, sabotado a rede que leva energia elétrica ao alojamento, cortado os pneus dos carros de um religioso que acompanha o grupo e exibido armas de grosso calibre. O defensor público da União, Robson de Souza, pediu investigação da Polícia Federal para o caso porque está convicto de que a Brigada Militar não controla os fazendeiros. O diretor da Comissão de Assuntos Fundiários da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, nega as agressões. Nesta quarta-feira o grupo de Bagé ficou parado, mas as outras duas colunas organizadas pelo MST foram às ruas. Em Santo Ângelo, no noroeste, os sem-terra participaram como apoiadores de uma passeata de bancários que reivindicam reajuste salarial e depois fizeram um ato público pela reforma agrária. Em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, se juntaram a uma manifestação de professores, estudantes e sem-teto contra o sucateamento da educação.

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