DANIEL TEIXEIRA|ESTADAO | ESTADAO CONTEUDO
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Polícia usa bombas para dispersar ato contra impeachment

Em São Paulo, protesto contra o impeachment provoca pânico na Avenida Paulista; Brasília, Rio e Porto Alegre também registram manifestação

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2016 | 21h44

A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e bala de borracha para dispersar na noite desta segunda-feira, 29, uma manifestação contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, na Avenida Paulista, região central da capital. A confusão começou quando a Tropa de Choque bloqueou a via na altura do Masp para impedir que o grupo seguisse até a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A passeata seria concluída no Parque do Ibirapuera.

Houve pânico na região. Os manifestantes das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo – compostas por MTST, MST, CUT, PT, PSOL, entre outros movimentos e partidos – correram para as vias paralelas e transversais. A maioria dos ativistas seguiu para a Rua da Consolação. Segundo os organizadores, havia 3 mil manifestantes – a PM não divulgou estimativas nem balanço da operação.

A concentração foi a partir das 17 horas na Praça do Ciclista. A ação da PM começou por volta das 19h30 quando a marcha encontrou com o Choque. “A PM está sempre protegendo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que se transformou no QG do golpe”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).

O grupo montou barricadas e ateou fogo em sacos de lixo. Garrafas foram arremessadas contra policiais. A reportagem registrou ao menos a prisão de um jovem. Entre os manifestantes havia sindicalistas, ativistas populares e estudantes.

Na confusão, manifestantes buscaram abrigo em agências bancárias. Quem passava pelo local, como trabalhadores e frequentadores de shoppings e cinemas da região, eram pegos de surpresa e buscavam proteção. O trânsito da via ficou bloqueado até as 20h30.

Segundo Bonfim, o protesto foi o primeiro. Ele disse que as frentes se colocam contra a Proposta de Emenda à Constituição 241, que fixa um teto de gastos, e as reformas da Previdência e trabalhista.

Mais protestos. Em Brasília, cerca de 1.500 pessoas, de acordo com a PM, participavam à noite da manifestação na Esplanada dos Ministérios. O público era de moradores do Distrito Federal.

A movimentação na Esplanada ficou por conta apenas do grupo contra impeachment. Do lado reservado ao grupo pró-impeachment, de acordo com a PM, o movimento não chegou a cem pessoas.

No Rio, cerca de 300 pessoas protestaram contra o impeachment na frente da Igreja da Candelária, no centro da cidade. O protesto foi convocado por organizações que compõem a Frente Brasil Popular. “Nosso objetivo é fazer mobilizações todos os dias”, afirmou a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). / COLABORARAM LIGIA FORMENTI e ROBERTA PENNAFORT

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