Polícia se prepara para entrar no Complexo do Alemão

Comandante da polícia determina local onde traficantes poderão se render.

Júlia Dias Carneiro, BBC

27 de novembro de 2010 | 13h51

Moradores tentaram retomar rotina neste sábado

O comandante da Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, disse neste sábado que a polícia vai entrar no Complexo do Alemão a qualquer momento e que fez um ultimato para que os traficantes se rendam.

"Quem quiser se entregar, que o faça agora", disse em entrevista coletiva no 22º BPM, na Maré, ao lado do ao conjunto de favelas, na Zona Norte.

A PM estabeleceu um procedimento para que os traficantes se rendam. Eles devem se apresentar com fuzis sobre as cabeças e entregar as armas num posto montado na rua Joaquim Queiroz, no Complexo do Alemão, próximo à Estrada de Itararé - palco de intenso tiroteio entre traficantes, policiais e militares na sexta-feira.

"Já existe um esquema para que essas pessoas se entreguem. É uma oportunidade que a gente está dando", disse o coronel Lima Castro, relações públicas da PM. A corporação estima que entre 500 e 600 criminosos estejam no Complexo do Alemão.

O coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, está na comunidade e pode agir como mediador para negociar a rendição dos criminosos.

No microblog Twitter, Júnior informou: "Clima tenso no Complexo do Alemão. Os moradores fazem corrente de muitas orações."

Baixada Fluminense

O Rio de Janeiro voltou a registrar novos ataques na madrugada deste sábado, desta vez na região da Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Militar foram incendiados quatro carros em dois pontos diferentes do município de Nova Iguaçu, sem registro de prisões ou de mais feridos.

As forças policiais e militares mantêm o cerco ao Complexo do Alemão neste sábado, com 800 homens da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército posicionados nos 44 acessos do complexo. O Exército realizou vários bloqueios, parando e revistando pedestres, carros, motos e caminhões, para evitar a fuga de traficantes.

No entanto, duas pessoas foram feridas a tiros na região na manhã deste sábado, ao tentar escapar do cerco. Os dois suspeitos foram atendidos em um hospital local e levados à delegacia da região em seguida.

Soldados foram mobilizados para controlar acessos de favelas no Rio

No final da noite de sexta-feira, tiros com balas traçantes atingiram a base onde estão abrigados os policiais militares do Batalhão de Choque da Polícia militar na região.

Feridos

Num acesso ao bairro de Olaria, o tiroteio na noite de sexta-feira deixou pelo menos seis pessoas feridas: três mulheres, um fotógrafo da agência Reuters, um militar da Brigada Paraquedista do Exército e uma criança de dois anos, que foi atingida no braço por um tiro de fuzil dentro de casa.

Mais cedo, um tenente foi atingido por disparos vindos do Morro da Chatuba, uma das 15 favelas que compõem o Complexo do Alemão. Um traficante apontado como um dos chefes do tráfico no Alemão morreu.

O fotógrafo da Reuters, Paulo Whitaker, foi atingido no ombro por uma bala perdida quando estava dentro de um táxi, e o militar levou tiros na perna. Na mesma região, traficantes do Morro da Baiana também dispararam contra os militares. A Reuters informou que Whitaker não corre risco.

A pedido do governo do Estado, um efetivo do Exército foi deslocado para a região para oferecer apoio à Polícia Militar após a operação policial que conseguiu ocupar a Vila Cruzeiro, conhecida como um dos maiores redutos do tráfico no Rio, na quinta-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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