Polícia revela nome do suíço que liderava corrupção na Alstom

Bruno Kaelin é acusado de ter participado de "gestão desleal, corrupção e lavagem de dinheiro"

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2008 | 10h46

Praticamente concluída, a investigação sobre o pagamento de propinas pela Alstom indica que membros da direção da empresa estariam envolvidos em esquemas de corrupção em várias partes do mundo, inclusive em São Paulo. Essa é a principal suspeita do Ministério Público Suíço que, há cerca de três semanas, prendeu de forma preventiva um ex-alto funcionário da empresa. Veja também: Entenda o caso Alstom O nome e a função do funcionário estavam sendo mantidos em sigilo. Mas com o caso praticamente em seu estágio final, fontes na Justiça suíça revelaram ao Estado quem está sendo acusado por ser a peça central do esquema de corrupção e qual teria sido o mecanismo usado para realizar os pagamentos a funcionários públicos no exterior. Trata-se de Bruno Kaelin, um suíço alemão que, no dia 21 de agosto, foi preso em Einsiedeln, vilarejo nas profundezas dos vales dos alpes da Suíça e conhecida por ter um dos conventos mais antigos da Europa. A acusação é de que teria participado de "gestão desleal, corrupção e lavagem de dinheiro". Sua prisão envolveu mais de 50 policiais e a Justiça suíça acredita que Kaelin, hoje aposentado, seja a chave para que se possa revelar quem recebeu as propinas pagas pela Alstom para ganhar contratos milionários. Em suas várias atividades dentro da companhia, Kaelin ocupou a função de garantir que os contratos entre a Alstom e as demais empresas e governos estavam de acordo com os interesses da empresa francesa. Mas Kaelin também ocupou um cargo no conselho de administração da empresa, entre 2000 e 2006, o que lhe dava amplos poderes e uma circulação constante entre os principais executivas da Alstom. Os suíços ainda contaram com a ajuda de investigadores franceses. Juntos puderem reconstituir o esquema que permitia o pagamento de propinas para garantir contratos no exterior. O circuito de corrupção esteve ativo pelo menos desde 1995. Uma das suspeitas da Justiça suíça é de que cerca de US$ 20 milhões teria usado esse esquema apenas para o pagamento de propinas no Brasil e na Venezuela.  Um dos braços utilizados para fazer os pagamentos era a Cegelec, que até 2001 esteve sob o comando da Alstom. Entre 1999 e 2001, o próprio Kaelin foi quem administrou a Cegelec. Hoje, a subsidiária não tem qualquer relação formal com a Alstom. "Não podemos falar sobre o caso porque a Cegelec de hoje não tem qualquer relação com a Alstom. Trata-se de uma empresa totalmente independente desde 2001", afirmou o diretor de comunicações da entidade, Jean-Louis Erneux. No Brasil, a Cegelec esteve envolvida em muitos projetos, desde a manutenção da fábrica da Novartis em Taboão da Serra ou o túnel Ayrton Senna.

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