Polícia procura suspeitos de fraudar vestibular

A polícia do Espírito Santo vai pedir a prisão preventiva de pelo menos duas pessoas suspeitas de participação em fraudes em vestibulares. Os suspeitos são a estudante de Medicina da Universidade de Brasília Ivana Hussein Dutra, de 29 anos, e Manoel Geraldo Fagundes. A chefe de Polícia Civil, delegada Selma Couto, disse que as prisões devem ser pedidas no máximo até segunda-feira. ?Eu já tenho como pedir as prisões, mas não vou fazer isso agora. Vou juntar mais elementos?, declarou o delegado Luiz Neves Paula Neto, titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, que se reuniu com agentes da Polícia Federal nesta quinta-feira.Segundo o delegado, Ivana, que nasceu na Romênia, participa de vestibulares, sempre para o curso de Medicina, em todo o Brasil. Fagundes seria seu contato no Espírito Santo. Ele é sócio de uma empresa que leva estudantes para fazer concursos públicos e vestibulares em outros estados. De acordo com a polícia, Fagundes seria o responsável por aliciar os candidatos. Essa não é a primeira vez que Ivana tem problemas com a polícia. Em 1999, ela foi presa no Rio de Janeiro, junto com o marido, Jorge Nascimento Dutra. Ambos foram acusados de envolvimento em fraude no vestibular da Universidade Gama Filho. A polícia do Espírito Santo ainda não sabe se ela foi condenada. A tentativa de fraude ocorreu no domingo passado, quando foi realizada a primeira fase do vestibular da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), uma universidade particular do Espírito Santo. Ivana fez a prova em cerca de uma hora e meia e acertou 83% das questões, ficando em 19.º lugar. Ao deixar o local do exame, teria passado o gabarito para Fagundes, que o teria transmitido aos candidatos envolvidos por meio de cola eletrônica. A quadrilha recebia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por candidatos a vestibulares de instituições privadas e R$ 50 mil no caso das universidades federais. Paula Neto disse que a polícia foi informada do crime por uma denúncia anônima e montou um esquema para tentar prender Ivana na segunda fase, mas ela não compareceu. ?Ela só faz a primeira fase, que é de múltipla escolha. Na segunda, que é escrita, fica por conta dos candidatos?, explicou o delegado. Para o policial, há mais pessoas envolvidas no crime e a cola eletrônica é apenas uma das maneiras oferecidas por Fagundes aos candidatos para obter aprovação no vestibular. Ele também venderia gabaritos, fornecidos por funcionários de universidades, e teria outras pessoas para fazer a prova no lugar dos vestibulandos. De acordo com o policial, a direção da Emescam não anulou a primeira etapa do vestibular sob a alegação de que a fraude não foi concretizada. Mas a prova ainda está sob investigação policial e pode ser considerada inválida.

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