Polícia prende secretários acusados de crime eleitoral em AL

Operação feita pela polícia aponta que os envolvidos agiram para beneficiar o candidato a deputado estadual Nelito Gomes de Barros (PSDB)

Ricardo Rodrigues, de O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 14h04

MACEIÓ - Operação é relacionada a crimes eleitorais em Santana do Mundaú e União dos Palmares Agentes da Polícia Civil de Alagoas prenderam na manhã desta segunda-feira, 27, pelo menos um secretário do município do Santana do Mundaú, cujo prefeito Elói da Silva (PSC) e mais dois secretários da prefeitura são acusados de crime eleitoral e formação de quadrilha, para beneficiar o candidato a deputado estadual Nelito Gomes de Barros (PSDB).

 

As prisões temporárias foram decretadas na semana passada pelo juiz eleitoral da Comarca de União dos Palmares, Marcelo Tadeu, com base numa denúncia de um eleitor e em documentos apreendidos durante os primeiros mandados de busca e apreensão executados por policiais militares. A operação policial para prender os secretários foragidos e executar mais 20 mandados de busca e apreensão foi deflagrada no domingo, 26, nos municípios de Santana do Mundaú e União dos Palmares, que ficam na região atingida pelas enchentes. Cerca de 80 homens da Polícia Civil alagoana participaram da operação.

 

Prisões foram efetuadas nas duas cidades, mas os nomes dos presos ainda não foram divulgados oficialmente. Novos mandados Os novos mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Tadeu e pela 17ª Vara Criminal da Capital. A operação está relacionada a denúncias de crimes eleitorais praticadas nas duas cidades por políticos ligados à prefeitura de Santana do Mundaú e a pelos menos dois candidatos: Nelito Gomes e João Lyra, que disputa uma das vagas de Alagoas na Câmara Federal.

 

Em Santana do Mundaú, os policiais fizeram uma varredura na casa do prefeito Eloi da Silva, na Rua Governador Muniz Falcão, no Centro da cidade. A polícia esteve também na casa do ex-prefeito e cerealista Antônio Lourenço, na residência do genro dele, identificado como Ricardo e na casa de funcionários da prefeitura, entre eles o contador Valmir, situada à entrada da cidade. Na sede da Prefeitura, os policias quebram cadeados e apreenderam pastas, CPU's de computadores e outros materiais. Toda a operação foi acompanhada pelo promotor Tácito Yuri, da Comarca de União dos Palmares, pelo diretor-geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, e pelos delegados José Edson e Paulo Cerqueira, da Divisão de Investigação e Captura (Deic).

 

Ao todo, cerca de 18 viaturas foram usadas na operação e ficaram com as malas abarrotadas de material apreendido, entre documentos da prefeitura e objetos que seriam utilizados para a troca de votos. Conforme informações extraoficiais, quatro prisões teriam sido efetuadas. Estariam presos o secretário de Educação de Santana do Mundaú, Antônio Duarte; o secretário de Esportes, Tamús Lourenço; e mais dois funcionários da prefeitura de Santana do Mundaú. No entanto, oficialmente, a polícia só confirmou a prisão de Tamús Lourenço, que é filho do ex-prefeito Antônio Lourenço. Zonas rural Os policiais também realizam diligências na zona rural do município, no Sítio Barro Branco, na tentativa de prender o secretário de Transportes José Marciel, que é sobrinho do prefeito e se encontra na condição de foragido. José Marciel, Antônio Duarte e o secretário de Administração, José Elson, que é filho do prefeito, estão com prisão temporária decretada e escaparam da última operação policial, realizada na semana passada.

 

As prisões seriam executada pela Polícia Federal, na semana passada, mas por conta da demora na execução dos mandados de prisão, os acusados fugiram. O juiz colocou a culpa no "corpo mole da P". Já a Superintendência da PF disse que a operação foi prejudicada porque houve vazamento da informação sobre a decretação das prisões.

 

Desta vez, para evitar o vazamento de informações, os policiais civis só tiveram informação sobre o destino da operação na madrugada.de hoje, na hora da concentração para o início da operação. Os policiais saíram da sede da direção geral da Polícia Civil, no bairro de Jacarecica, em Maceió, com destino a União dos Palmares e Santana do Mundaú, na Zona da Mata alagoana. Donativos Segundo o promotor Tácito Yuri, "as buscas foram feitas baseadas em denúncias ao Ministério Público".

 

Ele disse ainda que na casa do prefeito Eloi da Silva foram encontrados muitos donativos entre eles colchões, lençóis e roupas que deveriam ter sido distribuídos com as vítimas das enchentes.

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