Polícia prende médica acusada de contratar falso pediatra no Rio de Janeiro

Segundo a polícia, o estudante teria receitado um medicamento e liberado Joanna, apesar de ela ainda estar desacordada. Ela morreu na sexta-feira apó ficar 26 dias em coma

Bruno Boghossian,

14 de agosto de 2010 | 13h32

A polícia do Rio prendeu, ontem pela manhã, a médica suspeita de ter contratado o falso pediatra que atendeu e liberou uma menina de 5 anos que sofria de convulsões e pode ter sido vítima de maus-tratos. Joanna Cardoso Marcenal Marins morreu na sexta-feira, depois de ter ficado internada em coma por 26 dias em uma outra clínica da cidade.

Sarita Fernandes Pereira é coordenadora de Pediatria do Hospital RioMar, na zona oeste da cidade, onde a menina foi atendida pelo estudante do 5º período de Medicina Alex Sandro da Cunha Silva, de 33 anos. A polícia ainda procura o falso médico, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça e é considerado foragido.

A Polícia informou que o medicamento receitado pode causar dependência e o estudante atuava com documentos falsos. A coordenadora e Alex foram indiciados por tráfico de drogas , falsidade ideológica, falsidade material e exercício irregular de medicina. As penas podem chegar a 30 anos de prisão.

"Segundo o depoimento do falso médico, ela (Sarita) é a grande responsável por todo o fato: ela o contratou, ela entregou o carimbo com o registro falsificado e ela era a coordenadora de todo o esquema", afirmou o delegado Luis Henrique Marques Pereira.

A médica suspeita de ter contratado Alex nega as acusações. "Eu acredito na Justiça, eu acredito na minha advogada e eu sei que isso tudo vai acabar bem", disse Sarita.

Joanna havia sido internada no RioMar sofrendo convulsões, com hematomas nas pernas, e marcas de queimaduras nas nádegas e no tórax. Segundo a polícia, o estudante teria receitado um medicamento e liberado a criança, apesar de ela ainda estar desacordada. Além do RioMar, Joanna passou ainda pelo Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, também localizado na zona oeste, antes de ser internada em coma na clínica Amiu, na zona sul, no dia 19 de julho.

A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima investiga tanto a atuação do falso médico quanto a suspeita de maus-tratos contra a criança, devido às marcas encontradas em seu corpo. A menina era alvo de uma disputa na Justiça por sua guarda. Ela estava sob a guarda do pai, o técnico judiciário André Rodrigues Marins desde o dia 26 de maio.

De acordo com a polícia, relatórios preliminares do Instituto Médico Legal (IML) apontam que as queimaduras teriam acontecido quando Joanna estava sob a responsabilidade de André, mas apenas uma perícia detalhada poderá comprovar a causa e o momento exato dos ferimentos. Segundo o pai, a menina tinha problemas neurológicos e que, por isso, sofria as convulsões.

O enterro de Joanna deve acontecer hoje, no município de Mesquita, na Baixada Fluminense. O corpo seria necropsiado durante a tarde de ontem no IML e liberado em seguida.

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