Polícia prende condenado pela morte de Celso Daniel

Marcos Roberto Bispo dos Santos estava foragido e foi localizado em uma casa em Diadema, Grande São Paulo

Fausto Macedo/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2010 | 19h52

A Polícia de São Paulo prendeu nesta quarta-feira, 1º, Marcos Roberto Bispo dos Santos, condenado a 18 anos de reclusão sob acusação de ter participado do grupo que sequestrou e fuzilou o prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), crime ocorrido em janeiro de 2002. Bispo, de 37 anos, foi localizado em uma casa no Piraporinha, Vila Nogueira, em Diadema (Grande São Paulo). Ele será removido para o Centro de Detenção Provisória de Diadema.

 

Aos policiais do Setor de Investigações Gerais da Delegacia Seccional de Diadema que o cercaram às 10 horas da manhã ele tentou inicialmente negar sua verdadeira identidade e até exibiu uma carteira de habilitação em nome de Maurício Nogueira. Mas a estratégia não deu certo. Acabou autuado em flagrante por uso de documento falso.

 

Bispo foi condenado à revelia, no último dia 18, por um júri popular no Fórum de Itapecerica da Serra. Foi o primeiro julgamento do caso Celso Daniel – outros seis acusados poderão ser julgados, entre eles o empresário Sérgio Gomes, o Sombra, apontado pelo Ministério Público como mentor do plano que vitimou o petista.

 

Segundo o promotor de Justiça Francisco Cembranelli, Bispo dirigiu a perua Blazer usada para levar Celso Daniel ao cativeiro. O promotor convenceu os jurados de que o petista foi vítima de crime encomendado – o prefeito teria decidido dar um fim em suposto esquema de corrupção em sua administração.

 

Segundo o promotor, parte do dinheiro público desviado por meio de licitações fraudulentas era destinada a caixa de campanha do PT, inclusive a que elegeu o presidente Lula, em 2002.

 

Bispo estava foragido desde que a Justiça decretou sua prisão preventiva – cinco dias antes do julgamento – porque não foi encontrado em seu endereço para ser intimado para o júri. Ele estava desarmado e não reagiu à prisão, informou o delegado Cosmo Stikovics Filho, que coordenou a operação. "Havia denúncias de que Bispo frequentava esse local, nossa equipe o monitorava há algumas semanas", declarou Roberto dos Santos, chefe dos investigadores de Diadema, quase 35 anos de carreira.

 

Segundo a polícia, o fugitivo estava escondido em uma casa com mais três pessoas que o ajudavam. Aos policiais ele disse que não teve mais contatos com os outros acusados que atacaram Celso Daniel.

 

O advogado criminalista Adriano Marreiro dos Santos, que defende Bispo, afirmou que seu cliente confessou envolvimento na execução do petista sob tortura. Ele disse que os policiais de Diadema "estão tratando bem" o acusado.

 

Marreiro já recorreu da condenação. Alega nulidade do julgamento – pelo fato de Bispo não ter sido intimado – e falta de provas. "Os jurados julgaram contrariamente à prova dos autos."

 

O criminalista vai requerer concessão de regime semiaberto para Bispo. "Ele já cumpriu oito anos de prisão, tem direito à progressão da pena."

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